sábado, 30 de abril de 2016

O meu projeto bagger

Eu menciono frequentemente o meu "projeto bagger". Creio que convém falar um pouco mais sobre ele e mostrar explicitar minhas razões e as possibilidades.

Esqueçamos a "garagem dos sonhos", com, no mínimo, duas motos, e nos foquemos na moto dos meus sonhos. É claro que eu curto vários outros estilos, mas não tem jeito, toda vez que penso numa moto para a vida inteira, penso numa bagger. Vou namorando com outras (e ainda acho que vou mesmo 72tizar minha C, se a grana me permitir), mas casar só com uma grande dresser.

Mas eu também gosto de ver as motos nuas. Pelo que deve haver um jeito de sempre tirar o vestido. Assim é que fico com as opções que sempre menciono alhures: uma Softail (DeLuxe ou Heritage), uma Road King ou uma Indian (Chief Classic, Chief Vintage ou Springfield). A idéia é ter uma bagger com o máximo de destacáveis e com o visual mais retrô possível.

Os destacáveis incluem, se possível, o morcegão (por isso tiro as Tourings com fairing fixo do projeto). Seria melhor se até os alforges fossem destacáveis, mas não faço questão. O visual retrô inclui até o rail para o banco e não dispensam, de forma alguma, as rodas raiadas. Beachbar e escapamento duals também são fundamentais. Esta Road King indica bem o rumo que quero tomar para este projeto (exceto que eu prefiro os alforges rígidos ao invés do de couro):
Fonte: HD Forums, usuário claper57.

Isto me leva, finalmente, à motivação deste post, que é indicar os prós e contras de cada um dos modelos que mencionei (apenas no que se refere a deixar a moto com o visual que desejo; aspectos técnicos podem contar, mas, para mim, estão em segundo plano).

As Softail são as mais versáteis e só dou certa vantagem à DeLuxe em relação à Heritage porque o visual dela é mais retrô. Mas o que vale para uma vale para a outra. Partindo da moto original, coloca-se um duals, o beachbar, o morcegão destacável e os alforges. Voilá! Prontinha! As outras alterações, de menor monta, são todas muito fáceis de fazer. Sem contar que o visual nu das Softail é imbatível!

De desvantagem só o custo para fazer tudo isso e os suportes dos alforges, que ainda não vi uma solução destacável que ficasse realmente boa. Os Easy Brackets ainda são a melhor forma de deixar destacável e a Cycle Visions ainda são a melhor adaptação dos alforges originais HD, mas é fixo. Já vi umas fotos destes suportes cromados, sem os alforges, e até que não fica ruim. Mas eu ainda acho o exagero de cromados um exagero! E o ponto é que, se for para deixar uma Softail como uma bagger "fixa" (com alforges sempre instalados), então é melhor partir logo para a Road King.

A Road King exige apenas a troca do guidão e o morcegão destacável (lembrando que o parabrisa pode servir por um bom tempo enquanto não se adquiri o fairing). Isso se mantivermos os alforges (que são rígidos, mas são revestidos) de couro. É uma bagger mais pronta. E mesmo o desejo de rail no banco não é algo tão distante em termos de investimento. Sempre se gastará bastante, claro, mas, contando que esta é "para casar", o que faz o investimento valer, ainda a Road King me parece a melhor opção, pensando só na grana.

A propósito, o Villis agora tem um fairing para Road King, o que facilita muito o projeto, pois, até então, eu só conhecia fornecedores gringos.

A maior das desvantagens da Road King é que é uma bagger fixa. Até se pode tirar os alforges. Mas bonito não fica de jeito nenhum.

Por fim as Indian. A Chief Classic vem pelada e a Vintage vem cheia de franjas. Mas ambas chegam ao mesmo lugar que a Springfield (ver Motos e fotos 2), que é uma bagger bastante pronta, como a Road King, com a vantagem de os alforges serem destacáveis, ficando com um visual nu lindo, como as Softails. Sem contar o Thunder Stroke que, sozinho, é uma obra de arte!

Desvantagem das Indian? O preço. Que já será muito alto para a Springfield (quando/se vier ao Brasil) e demanda um investimento impagável para os outros modelos (que também são caríssimos). Pelo menos para mim, pelo que vislumbro para os próximos anos, mesmo considerando o mercado de usadas. Outra desvantagem é que, ao menos até hoje, eu não conheço um fairing destacável para as Indian. 

O que tendo a fazer, então? 

A Indian Springfield talvez fosse a minha escolha, não fosse o investimento proibitivo para mim. Em não sendo viável, praticamente descarto a possibilidade de ter uma Indian na garagem. Fico então entre os modelos HD.

Entre eles, meu coração sempre bate mais forte pela DeLuxe e a razão e o bolso pedem mais pela Road King. Tudo vai depender das circunstâncias da época em que eu for tocar o projeto adiante. E até lá, quem sabe grana deixe de ser uma restrição tão determinante!?

Por enquanto me resta continuar o delicioso namoro com a C e paquerar as todas as beldades que meus olhos vêem.

Motos e fotos 2

Eis o meu "projeto bagger" posto em prática. Eu até perdôo o exagero no couro (plataformas, mata cachorro e paralama).

Não sei qual o modelo original, mas suponho que seja a Indian Springfield. Lindíssima!

Fonte: Instagram indianmotorcycle.
Nota: A true expression of style with expert craftsmanship.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Uma parábola motociclística

É recorrente vermos a postura desagradável de motoqueiros que, por algum motivo incompreensível, acreditam que a marca de suas motos ou o tamanho do motor, ou alguma babaquice semelhante, faz deles algo mais do que são.

Um certo Livro dos Tolos tem uma excelente história que serve bem ao caso. Quem tiver ouvidos ouça!

Como se resumem os mandamentos para a vida eterna? “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” 
Certo homem descia a rodovia quando veio a cair, o que lhe causou muitos ferimentos, ficando semimorto. 
Casualmente, descia um harleyro jaquetinha por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. 
Semelhantemente, um jaspion descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Também uns big trail e outros abastados... 
Certo cachorro louco, porém, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. 
E, chegando-se, deu-lhe alguma atenção, ajudou com os ferimentos, e deu um jeito de leva-lo a tratamento.  
No dia seguinte, foi ao hospital e ainda ajudou com as despesas de internação.  
Qual destes terá sido o próximo do homem que caiu de sua moto? Ora, certamente o cachorro louco.  
Então, você, motoqueiro, vai e procede de igual modo.
(A parábola do bom samaritano, Lucas 10.25-37)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A garagem dos sonhos 3

Agora que comecei, não consigo parar!

E agora digo que nem só de motos a minha garagem de sonho seria feita.

Se eu pudesse, ela seria bem grande e caberiam alguns carros também. Ou no mínimo três, sendo um deles um carro comum qualquer, talvez um SUV ou qualquer coisa que sirva para o dia a dia, outro seria um "premium" (argh, eu odeio isto, mas fazer o que? define bem o tipo de carro de que falo), e ainda um outro que seria um clássico, mas um clássico bem brasileiro.

O carro premium nem precisaria ser um top dos tops... Eu me satisfaço com um reles Mercedes Classe C. É, se eu fosse trilhardário e solteiro eu provavelmente diria que a garagem teria que ter um Porsche 911, que eu prefiro sobre todos os outros esportivos. Mas eu sou um senhor de família. E eu sei. Audi e BMW são mais joviais e tals... Mas eu também sou tiozão. Sempre fui. Mercedes Classe C é a minha cara!
Mercedes Classe C.
Imagem: Site da Mercedes.
E o clássico brasileiro seria o Opala, preferencialmente um Opala SS 78.

Sim, há vários outros clássicos que são muito bonitos e, seja lá qual o critério que se use, até melhores. Mas... Como explicar? É difícil dizer, pois quando eu era criança ou adolescente, eu só tinha olhos aos Porsches. 

Dos brasileiros o único que eu olhava com olhos cobiçosos durante minha adolescência era o Passat Pointer (que eu ainda curto). Aqueles bancos Recaro ainda eram um desejo meu até bem recentemente.

E o Opala? A verdade é que não faz muito eu ainda achava o Opala até mesmo feio (veja que heresia!). É bem verdade que eu sempre tive em mente mais o Opala quadradão dos anos 80 que os mais antigos. E, se bem que eu tenha diminuído esta minha aversão, eu ainda não curto os modelos mais "novos".

De uns tempos para cá, no entanto, eu comecei a olhar para as versões mais antigas com outros olhos, cada vez com mais interesse, cada vez gostando mais de suas curvas. Na verdade, até o Maverick, que mais que feio, eu achava horroroso, eu passei a admirar. Até a Kombi! Até o fusca! Mas dentre os velhinhos brasileiros todos, aquele que me fisgou o desejo tiozão retrô foi o Opala. E, como eu disse, preferencialmente o SS 78.

Opala SS 78.
Imagem: Anúncio no Mercado Livre.
Agora, eu digo "preferencialmente" porque eu não tenho desejo algum de originalidade. Não quanto à parte mecânica e não quanto ao interior. É o exterior do 78 o que eu quero, com aquelas faixas pretas e o símbolo SS na traseira. E eu gosto de qualquer cor, mas sou maluco pelo branco.

Chevrolet Small Block.
Imagem: Site da Chevrolet.
Quanto à parte mecânica, eu gostaria de enfiar sob o capô um Small Block, ou qualquer um daqueles motores Chevrolet que coubesse lá. 

Não entendo patavina de mecânica, mas imagino que o trampo seja grande e o motor exija várias outras partes compatíveis. 

O interior eu gostaria que fosse todo "moderno". Pelo menos em termos de conforto e segurança, com outro tipo de bancos, cintos retráteis de três pontos, algum tipo de upgrade no painel e o que mais fosse possível fazer.

Bem, eu não precisaria ser trilhardário para fazer algum projeto com um antigo. Mas eu precisaria ter grana suficiente para fazer isso depois de realizar sonhos em duas rodas! Pelo que, se já tenho poucas esperanças de ir além da bagger em relação às motos, acho que carro teremos só o do dia a dia e, quem sabe, vacas engordando um pouco (e "um pouco" não é difícil), um velhinho de projeto sem muita imaginação.

Ao que eu volto ao mote da última postagem desta série: frustrante falar de sonhos para depois voltar os pés à dura realidade? Nem um pouco! Ao contrário, Sonhos mirabolantes alimentam os sonhos possíveis e os sonhos possíveis, ainda que não se tornem realidade, são o combustível que nos faz seguir lutando para transformar aqueles nesta!

Se há alguma coisa de frustrante nos meus sonhos é apenas que eu comecei a sonhar muito tarde. Passei boa parte da vida mais preocupado em sobreviver que em viver (as razões dariam um livro, mas um que não estou disposto a escrever, pelo menos não aqui) e agora, escolhas feitas, a expectativa de realizar alguns sonhos, mesmo alguns menores, é reduzida. Mas tentar continua a ser divertido.

Bem, eu não quero contar histórias que soem a, como dizia um colega de faculdade, "palavrinhas de esperança". O By Make não foi feito para isso. Mas, talvez, seja difícil para mim falar de meus prazeres sonhados sem pensar que, caraca, por que deixei tantos deles de lado por tanto tempo? Não é o caso, portanto, mas se fosse para deixar alguma "moral da história", esta seria: sonhe; lute por seus sonhos; e isso o mais cedo possível em sua vida!

Isto posto, let´s ride!

Redução de riser da 883 Custom

No finalzinho de 2014 eu fiz um pequeno "tutorial" no Forum Harley sobre o corte que fiz no riser para a instalação do ape hanger. Vou publicar aqui também até porque aqui dá para atualizar algumas fotos e/ou informações mais facilmente. Segue o texto que escrevi lá (com algumas edições):

883 C como chegou: original.
Eu só encontrei informações a respeito disso em um fórum gringo, então, se a alguém for interessante...

Eu já peguei a 883C com vontade de aumentar um pouco o guidão, mas aquele riser gigante é esquisito pacas. Não é qualquer guidão que orna. Só que eu também não queria trocar o copo: gosto dele para baixo, ao invés de para cima. 

Então vi num fórum gringo um cara que cortou o riser dele. Resolvi fazer o mesmo.

Peguei a menina com riser e guidão originais:
Lady Day, tal como a conheci.
O riser cortado.
Risers: original e cortado.
Comprei um riser extra (porque, se desse errado, ainda teria o original: meu temor era que o copo batesse no tanque e eu acabasse perdendo a peça) e mandei cortar e refazer a rosca. 

Após cortado, a diferença de altura é significativa. Talvez alguém ainda considere muito grandão, mas eu gostei do resultado.

Instalei o riser cortado ainda com o guidão original. O temor quanto ao copo bater no tanque era infundado, como se pode ver pelas fotos que seguem:
Riser instalado.
Riser instalado com guidão original. O visual fica agressivo.
Eu gostei do visual assim. E a posição fica até divertida. Mas só na cidade. Ao pegar a estrada, o que fiz duas vezes, uma num pequeno passeio e outra quando fui levar a moto para a instalação do ape hanger, é uma terrível dor nas costas.

Depois de um tempo, troquei o guidão e cabos. A princípio, eu deixaria os piscas nas bengalas. O resultado inicial foi esse:
Vista frontal com riser cortado.
Ape hanger recém instalado.
A configuração inicialmente pretendida:
guidão ainda um pouco para trás, piscas na bengala e bolsa de ferramentas.
Num churrasco com o pessoal da "Real Sociedade Motocicística".
Passado um bom tempo disso, eu comecei a não gostar nem da bolsa de ferramentas nem da posição dos piscas. Então tirei o primeiro e aumentei os cabos do pisca para passá-los por dentro do guidão.

Também fui, aos poucos, percebendo que tanto o visual quanto a posição de pilotagem ficavam melhores com o guidão inclinado mais à frente. Num primeiro momento ficou assim:
"Gimme light!"
Depois disso, em relação ao riser e guidão, apenas mudança do posicionamento. Atualmente está ainda um pouco mais à frente, privilegiando o visual. Mas, às vezes, trago um pouco mais atrás para melhorar o conforto.

Outras alterações estéticas continuam sendo feitas. O visual atual dela é este da foto que estampa a coluna lateral do blog em "Minha moto atual" (e que será atualizada sempre que houver alteração significativa).

E é isso. E eu que nem curtia ape hangers, estou curtindo pacas!

PS: O riser da 1200 (C e CA) é o mesmo, então acredito que a solução pode servir a estes modelos também.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A garagem dos sonhos 2

Depois de um começo cheio de postagens com datas retroativas, o By MAKE ficou bastante parado. Não só o blog, a Lady Day também está saudosa de aventuras. Mas o Make anda estressado demais com as contingências da vida e não pode dar muita atenção a seus prazeres.

Mas ficar de todo longe não dá!

Então, depois de dar um micro rolê com Lady Day, passei no Forum Harley para ver sobre o que os malvadões andam conversando. E eis que aparece uma foto de uma CB Cafe Racer. E eu pensei que eu não poderia deixar de falar a respeito.

Porque eu já falei antes que um de meus sonhos é ter duas motos. E eu não disse bem isso, mas apontei que em tempos de vacas mais gordas eu pensava em uma Softail (uma Deluxe, a princípio, ou uma Heritage, que eu tinha) e uma bagger (uma Road King com vários destacáveis), e em tempos de vacas mais magras a Sportster e uma bagger (Softail ou Road King) ainda seria ótimo. Mas as vacas emagreceram tanto que vou manter só a Sportster e, se a coisa continuar assim, no máximo, um dia ela dará lugar a uma bagger apenas.

Panhead 1958.
Imagem: Motorcycle Artworks.
Panhead S&S.
Imagem: S&S.
Mas a verdade, a verdade mesmo é que eu queria ter várias motos, além da "moto leve" e da bagger.

Eu queria, por exemplo, ter uma Panhead! Nem que fosse uma Panhead réplica, com um moderno motor S&S e tals... 

Mais legal ainda seria se eu pudesse colocar a mão na massa para montar esta panhead, réplica ou não, assim como faz o Hadys. Mas não tenho conhecimento, habilidade, tempo nem dinheiro; o que é uma pena!

Talvez, a bagger pudesse ser não uma H-D, mas a Indian Springfield. Ou a H-D mais a Indian! Que maravilha seria ter as duas americanas.

E eu queria também ter uma Cafe Racer. Como esta:
CB 750 Cafe Racer by Dime City Cycles.
Imagem: Silodrome Gasoline Culture (siga o link para mais fotos; vale a pena).
Uma vez que me faltam conhecimento e habilidade, não tenho tanta esperança que um projeto desses me saia em conta. Mesmo assim, este talvez seja um sonho mais próximo, mais possível que uma Panhead, mesmo réplica. E, também, talvez seja mesmo uma possibilidade de uma segunda moto (junto com a bagger, qualquer que seja).

Nunca sabemos o que o futuro nos reserva. Não sei se o tempo e a idade também não mudarão meus sonhos (se vacilar, ou apenas demorar demais, muda-se tudo por um trike). Mas ir sonhando, não o sonho nada factível da garagem de colecionador, mas sonhos plausíveis, é bom. Mesmo que não se tornem reais. O próprio sonhar é divertido.

E se o sonho se tornar real, seja num rumo, seja em outro, ah, que delícia!

(Aliás, a própria garagem também é um sonho. Mas isso é um outro papo, para uma outra postagem...)