quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Como salvar as clássicas Softail, na versão 2018

Como eu tenho dito alhures, o problema todo é estético. Não me parece que novo quadro, motor e demais alterações técnicas sejam ruins. Ao contrário, tudo soa muito bem. O que parece é que é puro mau gosto mesmo, o que não se justifica pela tentativa de alcançar um novo público.

Deluxe versão Heritage Classic.
Imagem: configurador do site americano da H-D.
Vejam esta configuração da Deluxe. É exatamente o que se esperava de uma Heritage Classic, exceto pelos ridículos piscas, que poderiam ser no estilo flat. Quanto a Deluxe propriamente, bastava manter os piscas bullet, o rail no banco do piloto e o banco do carona com seu bagageiro. 

E, vejam só, eu gostaria mesmo é de ter aquela chicana, mas o modelo 2018 também me poderia servir como nesta segunda configuração, alterado o pisca, acrescentado um banco com rail e um bagageiro solo (como o da minha finada Heritage) e com estes destacáveis todos (parabrisa, alforges e tourpak solo). Acrescente-se um beach bar, duals e, talvez, roda dianteira aro 21 e temos a minha chicana.
Deluxe versão solo touring.
Imagem: configurador do site americano da H-D.
Não era difícil fazer uma Heritage S (a preteada que foi lançada) e uma Heritage Classic, além de uma Deluxe que não fosse ridiculamente moderninha. Era fácil, fácil. Mas não, tinham que fazer a caca que fizeram.

De todo modo, há salvação!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

As novas Softail da linha 2018

Linha Softail 2018.
Imagem: site americano da H-D.
Bem, senhores, passado o baque da apresentação de ontem, em que cheguei a brincar nas redes sociais que a H-D morreu em 2017 e que os adornos da caverna precisavam ser repensados (para a Indian), e com um olhar mais demorado sobre os novos modelos no site americano, seguem minhas impressões.

Antes, lembrem-se: meu negócio aqui é estética. Se as melhorias técnicas são de fato melhorias ou não, há gente mais apropriada para comentar. Apenas digo que, a princípio, o novo quadro, com os novos motor e suspensão, são do meu agrado. Até mesmo o radiador está tão discreto enfiado no quadro que nem chega a assustar. Como devem sair postagens mais técnicas (ou não) blogosfera afora, vou acrescentando links aqui: Old Dog Cycles, Old Dog Cycles 2Lord of Motors (com a linha para o Brasil; será?), Wolfmann.

Ah, para fotos e detalhes, entrem no site americano da H-D. Sinceramente não me animei a incluir nenhuma outra foto. Ou, para uma foto de perfil de toda linha, inclusive as outras famílias: Wilson Roque.

Isto dito, vamos aos modelos. 

Como as Dyna acabaram, agora temos as Softail Street Bob, Fat Bob e Low Rider. A Fat Bob eu achei horrorosa, mas eu já achava isso da Dyna Fat Bob, então não fez mesmo muita diferença. Street Bob e Low Rider já têm um visual mais agradável. A Low Rider ficou bem bonitinha, mas também ficou igualzinha a Dafra Horizon. Em todo caso, se as Dyna já não me eram atrativas, exceto, talvez, e paliativamente, a Dyna Super Glide Custom, as Softail que herdaram seus nomes se mantém não atrativas para mim.

Breakout e Slim não mudaram tanto assim. Continuam motos bonitas, mas não são do meu gosto. Digo, não são o estilo de moto para ser minha, por mais que me agradem aos olhos. E, na verdade, acho que a Slim foi a única destas novas motos que me agradou sem restrições.

Agora, eu estava mesmo curioso era para ver o que seria feito da Fat Boy (mais pelo ícone que é do que por gosto), Deluxe e Heritage (estas por me serem modelos caros). 

A Fat Boy ficou um horror, com aquelas rodas monstruosas e aquela cabeça de touro que parece mais é uma cabeça tsantsa. Está parecendo uma Suzuki Boulevard mista M e C. Mas como os fãs da Fat Boy sempre foram os caras que gostam de motos mais moderninhas, é bem capaz de eles acharem tudo muito bem. Eu detestei.

Mas o que me frustrou mesmo foram a Deluxe e a Heritage. 

A Deluxe ao menos mantém o cromo e as rodas raiadas com pneus faixa branca. Mas o visual mais modernoso do novo quadro, aliado aos leds da capelinha e aqueles ridículos piscas retos... minha nossa! E em tirando o banco de garupa, tiraram aquele charmoso (embora realmente inútil) bagageiro e o rail, que, a meu ver, é uma das coisas que mais agregavam ao visual retrô da Deluxe. É bem verdade que tudo isso pode ser resolvido com acessórios. Mas, ora bolas, a moto original não ficou bonita, ao contrário dos modelos pré-2018.

Já a Heritage foi toda preteada, perdeu a faixa branca dos pneus e de Classic não tem mais nada. Nem é que ficou assim tão feia, mas simplesmente não é a Heritage Classic e não é um modelo fácil para customizar ao meu gosto. De positivo apenas o novo alforge, muito melhor que o, agora, antigo (mas mesmo assim ele tem tachinhas; pretas; mas tem tachinhas). Ainda se pelo menos eles tivessem feito dois modelos, uma Heritage (a preteada) e uma Heritage Classic (mantendo todo o cromo e a faixa branca dos pneus)... Mas não, tinham que fazer caca. Também é verdade que isso pode ser resolvido com acessórios. Porém, a que custo? (E isto, o custo, vale para a Deluxe também.)

Enfim, eu não gostei nada do que fizeram com as motos em termos estéticos, pensando principalmente nos três clássicos modelos Softail (Fat Boy, Deluxe e Heritage). Não sou assim purista e gosto de ver melhorias, pelo que entendo e acho mesmo necessária uma mudança nos modelos, além de me parecer uma aposta corajosa da marca. Mas pela primeira vez achei que a H-D realmente errou a mão na identidade visual da marca. Desta vez eu dou razão a todos que dizem que as motos ficaram muito japonesas.

Em todo caso, estas são primeiras impressões. O costume por certo há de alterar ânimos e versões posteriores dos modelos, além de acessórios, especialmente os aftermarket, podem mitigar ou resolver esta pisada na bola. E temos que ver "cara a cara". E fazer ass tests e test rides. Isto pode mudar tudo.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Garagem-bar 14

Enquanto andar de moto se mantém o ir e voltar ao trabalho, às vezes, e enquanto os assuntos escasseiam, a gente segue dando um trato na caverna.
A caverna, em sua mais recente "configuração".
Está sendo realmente divertido brincar de "do it yourself" e já estava de bom tamanho o simplesmente fazer o sofá, a mesinha/aparador, a bancada e a prateleira. 

Daí, no Forum HD, um dos foristas apresentou um projetinho DIY de um porta capacetes. Ficou bem legal, mas o que mais me chamou a atenção foi a pintura que ele fez, envelhecendo a madeira com betume (e aguarrás). Resolvi tentar isso também, uma vez que a caverna estava um tanto "monocromática". Mas eu não queria exatamente uma madeira envelhecida. Eu queria uma madeira enegrecida. 

Demorei um tanto para encontrar o betume na cidade, mas, enfim, encontrei e arrisquei pintar sem qualquer teste prévio. A mesinha/aparador ficou bem escura. Bancada e prateleira ficaram um pouco melhor, bem escuro como eu queria, mas menos "preto" do que a mesinha/aparador. O sofá, pintado já à noite, ficou com umas falhas e umas partes sem pintar. Das falhas eu gostei e as partes sem pintar não aparecem (ainda mais depois que eu colocar as espumas), pelo que vai ficar assim.

Gostei bastante do resultado final.

Além disso, acrescentei alguns adornos. Primeiro um quadro que minha esposa me presenteou no dia dos pais. Depois um tapete já velho que tenderia a ficar sem uso, também cedido por ela.

Talvez eu mude, se for necessário, os quadros e o som de lugar, quando algum conforto mais for acrescentado (uma TV e, talvez, um frigobar, que estou achando muito caro, ou mesmo uma daquelas mini geladeiras, mais em conta, mas com tamanho útil questionável). O bom de ser um ambiente paliativo, ainda que de uso prolongado, e de madeira é que estas modificações são fáceis e indolores.

Os próximos passos, porém, são as espumas do sofá (com um detalhe bordado que será interessante apresentar no tempo devido) e uma cortina que encomendei da China (encomendada por duas razões, aliás, uma a de ver como funciona a compra de lá e outra porque não faço ideia onde encontrar uma tal cortina por aqui) a ser "instalada" atrás do sofá, escondendo as prateleiras e "isolando" o "ambiente habitável".

Ah, aquela madeira embaixo da bancada é uma "prateleira". Há duas delas, na verdade, do mesmo tamanho. Farei com ao menos uma delas uma bancada externa ao barracão. Não dá para brincar de serrar, por exemplo, dentro dele. E cada vez menos, uma vez que ele está cada vez mais "habitável". Então... Bora brincar lá fora também!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A moto e a esposa

Eu, minha esposa e Lady Day.
Está rolando uma discussão bem legal no Forum H-D sobre um cara cuja esposa quer pilotar. Eu tenho sentimentos algo contraditórios a respeito. 

Quando voltei a pilotar, já casado e após um longo período sem moto, eu queria porque queria que minha esposa me acompanhasse. Muito pela companhia em si, uma boa porção porque há certas coisas que dão desejo enorme de compartilhar, um pouco porque ir junto é mais fácil que negociar o alvará. E se desejava a garupa, imagine uma companhia com outra moto!

Mas com o tempo, e porque ela nunca realmente curtiu, apesar de, sabendo do meu gosto, sempre me apoiar e até namorar motos comigo, comecei a perceber certas vantagens em rodar sempre sozinho.

Uma destas vantagens vem do meu próprio temperamento ensimesmado. Eu preciso de um tempo em solilóquio para esquecer do mundo e relembrar do que realmente importa. Para descansar e voltar à carga do dia a dia. Acho que, acima de tudo, minha esposa sabe disso e nunca faz muito drama para me conceder o alvará. A "autoridade competente" apenas me exige que nossas agendas sejam combinadas com certa antecedência.

Outra vantagem é que eu realmente detesto andar garupado. Eu confesso, sou um medroso e um meia roda. Na verdade até prefiro confessar isso a cada rolê. Porque assim eu evito todo exagero da autoconfiança. E se é assim solo, imagine garupado, quando a moto muda completamente todo comportamento. Toda vez que minha esposa senta na garupa, eu me sinto como um novato sem saber direito o que fazer a cada reação da moto. Isso traz desconforto a ela, porque percebe minha insegurança, e a mim, porque fico numa tensão dos infernos.

E eu descobri também que, se bem que seja divertida, às vezes, uma companhia em outra moto, no mais das vezes a companhia é um fator gerador de preocupação e tensão constantes. A gente sempre espera encontrar alguma sintonia na tocada e na postura na estrada, mas eu descobri que isso é algo raro. Isso quanto a uma companhia qualquer, imagine a própria esposa! Eu acho que eu ficaria tão preocupado e tenso que boa parte do prazer se esvairia.

A família reunida.
Agora, estou falando apenas da esposa. Na discussão do Forum alguém lembrou do filho, que começou a rodar com ele. Minha nossa! Eu nunca tinha pensado nisso. Sempre disse que gostaria que meus filhos me acompanhassem nos passeios e viagens. E ainda digo e direi. Mas agora já acordei para a realidade de que isso me deixará tenso e preocupado. Filhos! São uma dolorosa delícia!

No fim das contas, eu ainda sinto uma alguma frustração em não poder compartilhar aquelas certas coisas que a estrada nos proporciona. Pelo que, sim, entendo que é um privilégio uma esposa que acompanhe. Mas, no quadro geral, eu realmente prefiro o rodar sozinho, com a compreensão e o apoio da minha esposa e com o prazer de voltar, renovado, a ela e aos meninos. E como é prazeroso, e não menos privilégio, o poder ir a esmo e depois voltar ao calor e ao conforto do lar, aos beijos e abraços de amados que nos amam!