sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Carta aberta a um certo diretor de jornal

Um tal Francisco Rocha, diretor de um jornal local, faz troça de mim em seu jornal, e me chama de mal educado porque, veja só!, ele estaciona na minha vaga (vaga do estacionamento privativo do meu local de trabalho, diga-se) e eu exijo que ele retire o seu carro. Da minha vaga!

A este senhor, digo algumas coisas. Mas antes, uma breve narração dos fatos:
Chego e há um carro na minha vaga. Estaciono a moto bem atrás e vou procurar o dono do carro. Nem precisava, ele estava no estacionamento e me pergunta:
- Vai me trancar?
- Vou, se você não retirar seu carro. Retire, por favor.
- Por quê?
- Porque esta é minha vaga.
- Mas não tem indicação.
- Não interessa, é uma vaga privativa para os funcionários da Câmara.
(Segue duas interações ininteligíveis sobre o que interessa ou não.)
- E você vai tirar a moto?
- Não, quero que você passe por cima.
Ele diz algo que me foi inaudível enquanto eu já estava de volta na moto e de capacete e eu respondo que o estacionamento é privativo e ele não pode simplesmente ir entrando.
Eu retiro minha moto, ele retira o carro (e não sei para onde vai, se fica no estacionamento ou se vai embora), eu estaciono minha moto e entro para trabalhar.
Fatos expostos, segue o que resta dizer:

Primeiro, é não só falta de educação, mas também uma daquelas pequenas corrupções que fazem o perfil cultural do brasileiro, com o jeitinho e com a lei de Gerson, o estacionar em vaga privativa que não é sua. Sim, senhor diretor de jornal, o senhor é mal educado e corrupto. Então a minha falta de educação, se é que o foi, é pouca paga pela sua.

Segundo, sim, eu sou concursado (ah, como isso deve ter sido frustrante a você, não é?) e sou inteligente. E exerço minha função tão bem quanto me é dado exercer. Por isso e pelo direito que a função me garante à vaga do estacionamento, exijo que ela e eu sejamos respeitados. Sim, senhor diretor de jornal, você foi desrespeitoso, pelo que minha ironia, que efetivamente foi, é pouca paga por seu desrespeito.

Terceiro, não, eu não sou dono do meu local de trabalho, embora o seja tanto quanto qualquer cidadão. Mas é meu local de trabalho, não o seu. Sim, senhor diretor de jornal, não é o quintal da sua casa nem o estacionamento do seu jornal. Aliás, gostaria de saber se as vagas do seu jornal estivessem cheias de carros alheios à empresa, qual seria a opinião deste digníssimo diretor de jornal. Sim, senhor diretor de jornal, pimenta nos olhos dos outros é refresco. Pelo que meu desprezo por si é pouca paga pela sua hipocrisia.

E por fim, se o que você conhece de motociclismo é John Travolta e Born to be wild, sinto dizer, mas o senhor diretor de jornal vive de clichês e é bem pouco informado. Pelo que sua troça-vingança me é menos que bem pouca, pouquíssima paga. É uma ninharia! Keep the peanuts.

Passe bem, senhor diretor de jornal. E aprenda a respeitar se quiser ter algum respeito.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Curitibanos Harley & Custom 2016

A verdade é que evento de moto é tudo igual: motos, cerveja e rock'n'roll. Para uns algumas coisas a mais, para outros algumas coisas a menos. Isso e eu sou como um cachorro que, depois de correr atrás de um carro, não sabe o que fazer quando o carro para. O que realmente pode fazer diferença são as pessoas que encontramos neles. E este evento em Curitibanos tem, para mim, os caras do Lixões MC e o Fabiano, o xerife. Então faço questão de visitar e bater um papo, mesmo que curto, com eles.

E eu estava mesmo ansioso por este evento, que neste ano aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro, sábado e domingo. Muito porque no rabo das despesas com a obra da nova casa eu acabei por não pegar estrada por um longo longo tempo, exceto alguns passeios bem curtos, que nem dá para contar como "pegar estrada". O destino é sempre pretexto, o negócio é fazer passar muito asfalto sob as rodas.

Assim é que solicitei e consegui o alvará com a autoridade competente com bastante antecedência e preparei minha bagagem já uma semana antes do dia da viagem. Finalmente chegado o sábado, planejei planejei sair bem cedo, às 5:00, até porque precisaria pegar o caminho longo, uma vez que o trecho entre Nova Petrópolis e Caxias do Sul está interditado e o caminho por Bom Jesus não me inspira confiança pelo asfalto.

Acordei umas 4:15, tomei um banho, botei a roupa, arrumei a bagagem na moto, beijei a esposa, acariciei e beijei os meninos e parti. Exatamente às 5:00.

Em São Chico.
O início de viagem foi tenebroso! Primeiro, como uso óculos e a perna dele me força as têmporas, deixando-me com uma dor de cabeça terrível, tentei usar uns óculos com elástico (que possui um clip interno com lentes de grau). Mas aquilo, no clima ainda um tanto frio da madrugada, embaçava demais e a visibilidade era muito ruim. Então parei em São Francisco de Paula e coloquei de volta os óculos velhos de guerra. 

Aí, saindo de São Chico, o sol nascendo, bem, tudo vai melhorar, não? Não! Do nada o céu sumiu, uma neblina e umidade inacreditável. Novamente não via nada e fiquei encharcado. Pior que chuva, porque a água não escorria da viseira. E muito mais frio. Fiquei quase ao ponto de desistir. Parei para tomar um café no posto de Tainhas e esperei que o céu abrisse ao menos um pouco. Não abriu. Mesmo assim segui viagem.

Em Vacaria.
Até Caxias a serração e a umidade continuaram a fazer da viagem um horror. Depois melhorou. Ainda um pouco frio e bastante nublado, mas agora eu já podia enxergar. Mas a tensão do início me deixou dolorido e cansado. Parei na saída de Vacaria para abastecer e aproveitei para relaxar um pouco.

Depois de Vacaria o céu começou a abrir e a viagem se tornou mais prazerosa. Chegando em Curitibanos, ainda nublado, mas bem pouco, o sol deu as caras e prometia brilhar forte. E brilhou forte e quente. Muito quente!

Cheguei ao evento em torno das 13:00, cumprimentei o xerife, que recepcionava os participantes, encontrei o local com as cores dos Lixões, que ainda não tinham chegado, e já me acheguei. Logo depois alguns deles, que foram antes e montaram o espaço deles, chegaram e, como era de esperar, me receberam muito bem. Conversei um pouco com eles e depois fui comer um burguer em um dos food trucks.

Pouco tempo depois, já de volta ao ponto de concentração dos Lixões, eles chegaram, barulhentos e divertidos. Cumprimentei vários e paguei a cota para aproveitar a cerveja e o churrasco. Depois disso, vocês podem imaginar como foi... 
Uma das poucas fotos que tirei durante o evento
(as três Softail estavam bonitas juntas).
Ah, sim, eu levei a GoPro e o celular (para tirar fotos), mas acabei não fazendo uso, exceto por umas poucas fotos (todas postadas aqui e/ou no Instagram). Achei que não saberia registrar o evento, seja com foto, seja com palavras. Assim, posso resumir dizendo que de tudo que vi no evento há três coisas que vale destacar:
  • Antes de tudo, cabe falar mais um pouco dos caras dos Lixões MC. Vários deles me cumprimentaram muito afetuosamente e me perguntaram sobre a casa nova, sobre a tentativa felizmente frustrada de vender a moto, sobre a viagem... Demonstraram muito respeito e atenção. Eu gosto muito desse pessoal!
    Lixões MC, as motos.
    Lixões MC, as cores. 
  • Havia uma Indian Chief Vintage de algum participante do evento e mais uma Vintage e uma Classic em um dos stands. A Chief é uma moto impressionante. Brasileiro não gosta muito do estilo paralamão, mas é exatamente o meu gosto: uma moto imponente e, uau, aquele motor! Mais: a moto vestida é bonita e tal, mas pelada ela é um desbunde! Eu acho mais provável eu tocar o bom e velho "projeto bagger" com uma Road King (que também é uma moto impressionante, apenas que já é velha conhecida), mas, por essa possibilidade de configuração pelada, eu queria mesmo era a Springfield.
    Indian Chief Classic.
    Indian Chief Vintage.
  • A maior e mais agradável surpresa que eu tive foi ver uma Sportster Custom prata com o dresser kit cromado para o motor. A surpresa foi agradável porque eu cheguei a pensar que o dresser kit, ao contrário das capas cromadas em si, não ficaria tão bom. Mas fica. Sim, um olhar atento vê logo que se trata de uma capinha e não de peça do motor. Mas pela diferença de custo, eu acho que a coisa vale muito a pena. Além disso, a moto estava com outras peças cromadas cobrindo o motor cinza. Perfeito! É isso o que vou fazer (a hora que a grana não estiver assim tão escassa).
    Engine dresser kit, lado direito.
    Engine dresser kit, lado esquerdo.
Depois de uma boa bebedeira e um bom charuto, saí meio que de fininho para a área de camping. Montei a barraca, enchi o colchão inflável e desmaiei nele. Cochilei bem umas duas horas e depois acordei para um banho e um sono mais confortável. Fiquei um tanto decepcionado com o comportamento dos acampantes. Muito barulho e pouco respeito (demonstrado também na sujeira deixada nos banheiros). Mas, enfim, a área destinada ao camping era boa (só faltou pontos de energia, mas eu me virei com isso) e eu estava cansado pacas... Dormi mesmo assim.

Iniciando a volta.
Acordei no domingo lá pelas 7:00. Desmontei o acampamento, montei as coisas na moto, fiz minha higiene e parti de volta para casa, parando antes num posto para abastecer e me hidratar (rapaz, como eu estava precisando disso).

A volta foi bem mais tranquila e gostosa de fazer. O céu estava nublado por todo o caminho, mas não choveu nem estava frio. Agora com boa visibilidade, pude ver que a estrada é bastante divertida, apesar das irregularidades e buracos na pista que fazem das curvas mais perigosas do que deveriam (mesmo em baixa velocidade).

Ah, a propósito, descobri que o que me causava dor de cabeça pelo capacete era o conjunto "perna do óculos - balaclava - botão da espuma mal fechado" (sim, todo este tempo com este capacete eu achava que o posicionamento dos óculos só ficaria bom com o botão aberto). Tirei a balaclava, consegui posicionar os óculos com o botão da espuma bem fechado e, voilà, adeus dor de cabeça! Mas eu ainda o quero trocar por um capacete articulado.

Voltei na boa, bem devagar e curtindo o passeio. Cheguei em casa lá pelas 15:00. Uns trinta minutos depois o céu desabou em chuva torrencial. Ainda bem que eu já estava no calor e no conforto do lar, nos braços da minha amada esposa e dos meus filhos!
De volta ao lar! Até a próxima...

domingo, 20 de novembro de 2016

Uma bolsa que não é uma mala

Neste fim de semana eu já comecei a arrumar minhas coisas para uma viagem que quero fazer no próximo fim de semana (para o Curitibanos Harley & Custom 2016, mas falarei mais do evento depois, provavelmente depois de voltar de lá).

Sim, eu gosto de ter tudo preparado com boa antecedência, mas o caso nem foi o de ter as coisas preparadas. O caso é que eu vou acampar e eu queria mesmo era saber como eu carregaria tudo o que preciso na moto.

Aliás, sobre o que preciso, bem, eu gostaria de ter comprado um daqueles colchonetes infláveis, com isolante térmico, bem pequenos, mas achei que o preço não compensa o atual uso tão esporádico. Também queria um travesseiro inflável, que não é assim tão dispendioso, mas também não compensa. Só vou gastar grana com isso para uma longa viagem que estou a planejar, mas que ainda demora um pouco a se realizar.

Por enquanto, o que tenho é uma barraca pequena, um colchão inflável enorme (e que não isola termicamente nada), uma bomba, um saco de dormir e uma espuma fina que fará às vezes de travesseiro. Além, é claro, de  capa de chuva, toalha, segunda pele, duas mudas de roupa (cueca, meia e camiseta; três no total: uma no corpo, uma muda e uma de reserva, que sempre levo em todas as viagens), um "pijama" (cueca, bermuda e camiseta), um chinelo...

Achei que não teria como levar tudo isso, principalmente pensando no colchão e na bomba, que ocupam um espaço considerável. Mas fiquei muito contente em colocar tudo, exceto a barraca e a capa de chuva (que vai na side bag), dentro da bolsa Kuryakyn Grantour Bag, que ainda leva os itens de higiene pessoal e remédios, os cacarecos eletrônicos e mais algumas coisas pequenas. E com folga para mais alguma coisa, se eu quiser. E, ainda, a bolsa ainda me serve de apoio lombar!

A aquisição desta bolsa foi realmente algo de que não tenho o menor arrependimento, mesmo ela não sendo a prova d'água (o que me faz levar um sacão de lixo que serve de capa; a que veio com ela voou numa viagem, eu não vi, perdi).
A bolsa Kuryakyn já com toda a bagagem dentro dela,
a barraca, o capacete e a roupa separada para a viagem.
Curitibanos, aí vou eu!

sábado, 19 de novembro de 2016

Garagem-bar 5

O bar provisório, enquanto
a Garagem-bar não sai do papel.
O Louis, do Gasoline Sauce, postou sobre um growler que ganhou, em Birra che te fa bene! 

Comentei com ele dos meus, que comprei quando cheguei na Serra Gaúcha, na Cervejaria do Farol. E lembrei de um fantástico e delicioso Natal regado a rauchbier, no growler, e porco assado. 

Pois então, Louis, repetir o porco e a rauchbier este ano não vai dar. Mas posso agora te mostrar os dois growlers no bar provisório, que não passa de um velho guarda-roupas provisoriamente instalado na suíte.

Devagar a gente vai ajeitando as coisas e já já teremos um ambiente mais apropriado para estas coisas!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Garagem-bar 4

Parte II - Cachimbo

Autor: Roberto Vargas Jr.
Nota: No cantinho do castigo: bora fazer fumaça!
Eu me amarro em cachimbos. Há um quê de sabedoria, um quê de reflexão na imagem de um homem cachimbando. Talvez não seja uma verdade, pelo menos não para todo e qualquer caso, mas não deixar de ter razão ser. Pois encher o fornilho, acender o tabaco e mantê-lo aceso... É um ritual e uma arte. 

Com a postura certa, é mesmo um excelente e prazeroso momento de intimidade com o Criador. E eu posso entender muito bem quando o Robinson Crusoé de Daniel Defoe, isolado em sua ilha, diz que o que mais lhe faz falta é um cachimbo.

Assim que comecei a cachimbar, eu tentei manter um registro dos tabacos: para não esquecer deles - pensava eu. Mas logo perdi o interesse porque minha relação com cada lata (ou seja lá qual for a embalagem), por eu ser um fumante ocasional, é bastante longa. Tão longa que é difícil esquecer as experiências, sejam elas boas ou ruins. 

Não faço caso de voltar às experiências ruins, mas uma, que não se pode chamar exatamente "ruim" é interessante. Conversando com um amigo cachimbeiro, eu disse que gostava demais do sabor e do aroma dos tabacos aromatizados com cereja, além do cheiro que fica impregnado no cachimbo. Ele me responde que isso mudará com o tempo. Eu achei que não; e respondi que não fazia caso de apurar o paladar como me ocorreu com o vinho (não que eu seja um expert, mas que já não é qualquer vinho que me desce). 

Bem, parece que a coisa é mesmo inevitável, mesmo para um fumante tão ocasional quanto eu. Não é que eu tenha de todo abandonado o gosto por aromatizados tão fortes quanto estes (ainda gosto do Cândido Giovanella Pêssego, e sua densa fumaça, por exemplo), mas, de fato, tabacos de maior qualidade se apresentam menos químicos ao paladar.

Das experiências boas, faço um resumo em lista, mais ou menos em ordem cronológica, do tipo "gostei de" (apenas com as melhores delas): 
  • O sabor de ameixas do Davidoff Blue Mixture;
  • Do aroma, mais que do sabor, de damasco do Cornell & Diehl Apricots & Cream.
  • Do aroma e sabor um tanto cítricos do McClelland Honeydew, fora ser a primeira experiência com flake (tratado erroneamente, diga-se, o que me faz querer tentar de novo). Também devo dizer que sobre o "gostei" deste tabaco que foi "muito".
  • Da belíssima lata e do delicioso aroma, apagado ou aceso, mas nem tanto do excesso de doçura, do Sutliff Molto Dolce.
Gostei um pouco também do suave sabor de chocolate dos Captain Black que experimentei (Royal e Light; achei que os dois tinham este sabor de chocolate, mas gostei mais do Light que do Royal), mas, como não foi nada assim espetacular, deixo fora desta lista.

Agora estou me dedicando à enorme lata (100g) do Mac Baren Vanilla Cream. Estou gostando muito deste tabaco, que é adocicado na medida certa para mim. Mas este terá seu registro na Garagem-bar em tempo oportuno!