quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A moto e a esposa

Eu, minha esposa e Lady Day.
Está rolando uma discussão bem legal no Forum H-D sobre um cara cuja esposa quer pilotar. Eu tenho sentimentos algo contraditórios a respeito. 

Quando voltei a pilotar, já casado e após um longo período sem moto, eu queria porque queria que minha esposa me acompanhasse. Muito pela companhia em si, uma boa porção porque há certas coisas que dão desejo enorme de compartilhar, um pouco porque ir junto é mais fácil que negociar o alvará. E se desejava a garupa, imagine uma companhia com outra moto!

Mas com o tempo, e porque ela nunca realmente curtiu, apesar de, sabendo do meu gosto, sempre me apoiar e até namorar motos comigo, comecei a perceber certas vantagens em rodar sempre sozinho.

Uma destas vantagens vem do meu próprio temperamento ensimesmado. Eu preciso de um tempo em solilóquio para esquecer do mundo e relembrar do que realmente importa. Para descansar e voltar à carga do dia a dia. Acho que, acima de tudo, minha esposa sabe disso e nunca faz muito drama para me conceder o alvará. A "autoridade competente" apenas me exige que nossas agendas sejam combinadas com certa antecedência.

Outra vantagem é que eu realmente detesto andar garupado. Eu confesso, sou um medroso e um meia roda. Na verdade até prefiro confessar isso a cada rolê. Porque assim eu evito todo exagero da autoconfiança. E se é assim solo, imagine garupado, quando a moto muda completamente todo comportamento. Toda vez que minha esposa senta na garupa, eu me sinto como um novato sem saber direito o que fazer a cada reação da moto. Isso traz desconforto a ela, porque percebe minha insegurança, e a mim, porque fico numa tensão dos infernos.

E eu descobri também que, se bem que seja divertida, às vezes, uma companhia em outra moto, no mais das vezes a companhia é um fator gerador de preocupação e tensão constantes. A gente sempre espera encontrar alguma sintonia na tocada e na postura na estrada, mas eu descobri que isso é algo raro. Isso quanto a uma companhia qualquer, imagine a própria esposa! Eu acho que eu ficaria tão preocupado e tenso que boa parte do prazer se esvairia.

A família reunida.
Agora, estou falando apenas da esposa. Na discussão do Forum alguém lembrou do filho, que começou a rodar com ele. Minha nossa! Eu nunca tinha pensado nisso. Sempre disse que gostaria que meus filhos me acompanhassem nos passeios e viagens. E ainda digo e direi. Mas agora já acordei para a realidade de que isso me deixará tenso e preocupado. Filhos! São uma dolorosa delícia!

No fim das contas, eu ainda sinto uma alguma frustração em não poder compartilhar aquelas certas coisas que a estrada nos proporciona. Pelo que, sim, entendo que é um privilégio uma esposa que acompanhe. Mas, no quadro geral, eu realmente prefiro o rodar sozinho, com a compreensão e o apoio da minha esposa e com o prazer de voltar, renovado, a ela e aos meninos. E como é prazeroso, e não menos privilégio, o poder ir a esmo e depois voltar ao calor e ao conforto do lar, aos beijos e abraços de amados que nos amam!

domingo, 9 de julho de 2017

Garagem-bar 13

Com o uso da caverna, embora certamente duas banquetas altas de bar sejam necessárias, senti falta de um sofá. 

Pesquisei soluções prontas, mas ou elas eram pequenas demais (baús, que também não eram lá muito confortáveis) ou grandes demais (os sofás todos, inclusive aqueles de madeira aparente). Além disso, o valor destas soluções nunca era o que eu estaria disposto a pagar. 

Pesquisei também sobre sofás feitos em casa. Há vários vídeos na internet, a maioria, no entanto, muito elaborados. Alguns, porém, eram mais simples e, apesar dos recursos que eu não tenho (leia-se "ferramentas"), eles me deram uma ideia de como fazer um. Afinal, madeira dos restos de obra ainda não faltam. E o valor dos sofás prontos me justificava a compra ao menos de uma serra circular, que terá bom uso em outras "artes".

Daí pus mãos à obra e eis que fiz um sofá bastante decente. É extremamente rústico, sem acabamento algum e sem muita preocupação com medidas perfeitas. Mas é exatamente assim que me serve bem. E, acima de tudo, está divertido pacas brincar de fazer as coisas no melhor estilo "do shit yourself". Agora só falta encontrar um tapeceiro que me faça assento e encosto.
O sofá já está no seu lugar, delimitando o "espaço habitável" do barracão.
Tá ficando cada vez melhor. Uma caverna digna de respeito!
Hoyo de Monterrey Corona e Concha y Toro Merlot.
Terminei a estrutura do sofá ontem e hoje, Dia do Senhor, comemorei com um belo almoço de um filé mignon bem temperado em alho num molho de vinho branco e depois uma "sobremesa" feita de charuto Hoyo de Monterrey Corona. Almoço e sobremesa acompanhados de um Concha y Toro Merlot. 

Este Hoyo de Monterrey foi muito bem recomendado em vídeos internet afora como um charuto suave de custo razoável para iniciantes. Para o meu gosto, a recomendação é bem acertada. Mas o preço aqui na minha cidade não é tão bom assim... A propósito...

As vacas ainda não estão gordas, mas já deixaram a sequidão dos ossos aparentes ao ponto de me ser possível deixar de lado o vinho barato para aproveitar um comum. Certamente vinhos melhores virão em breve! (Louvado seja Ele!)

Agora é terminar o dia em ação de graças e descansar bem porque a semana de trabalho promete ser mais uma daquelas.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Do que realmente importa

Imagem: Renata Daniella Vargas.
Uma coisa leva a outra e nem sempre entendemos como ou porquê.

Assim é que hoje li uma nota de pesar pelo falecimento de um motociclista e acabei lembrando de uma outra história, a desta postagem do Bayer no Old Dog Cycles.

É claro que imediatamente a gente pensa que a vida é curta e que a gente tem que aproveitá-la, dando valor ao que importa. Mas eu fiquei pensando que precisamos de um passo além...

Porque, ao lembrar desta história, eu fiquei mesmo é a pensar na ex-mulher do cara, não no cara. Não dá para saber dos detalhes da vida dela, nem do próprio cara, de modo que possamos fazer maiores juízos. Mas não é essa a intenção. Pois me basta saber que houve incidente suficiente para que uma pessoa, ela, ferrasse a vida de uma outra pessoa, o cara. 

E isso me leva a pensar em tanta gente que, não importa a frustração e a tristeza que estejam a passar, acham que podem encontrar grama mais verde em terrenos vizinhos. E que, ao se aventurar em tais terrenos, só possuem olhos para sua própria frustração e tristeza, só possuem olhos para seus próprios umbigos, e agem sem se importar realmente com a frustração e tristeza que vão deixar para trás em outros, sem que efetivamente deixem de encarar frustração e tristeza.

Talvez se pense que eu quero fazer alusão à traição em um casal, mas não. E não quero que nos coloquemos no lugar do cara, isso é fácil, mas dela. Pois quem de nós não é tentado? Penso mesmo em qualquer situação em que sejamos tentados a expurgar nossas dores fingindo que não sabemos que este expurgo causa dores em outrem.

Temos pais, irmãos, filhos, amigos... Enfim, mesmo quando não parece ser assim, temos gente que se importa. Note bem: o sofrimento, enquanto neste tempo, aí está até que tudo seja, por fim, restaurado. Todo lenitivo que o ignore é ilusão. E nenhuma ilusão de cessação de nossos sofrimentos vale o causar o sofrimento alheio, e tanto mais quando estamos afetivamente ligados, de algum modo, a quem fazemos sofrer.

De fato, a vida é curta e que a gente tem que aproveitá-la, dando valor ao que importa. Acima disso tudo, porém, a gente precisa desesperadamente de discernimento sobre o que realmente importa.

O que fazemos neste tempo reflete na eternidade. E, meu caro, não importa se você não acredita na eternidade. Por isso, pense bem!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Capacetes: Medalha de São Bento

Falando em capacetes, enquanto eu postava sobre o que comprei, fiquei pensando que já faz milênios que postei fotos de capacetes que gostei. O primeiro foi lá em janeiro de 2016, e o segundo em julho, também de 2016. Muito, muito tempo passou.

E não é que, desejoso de publicar sobre um capacete, mas sem buscar por nenhum, a Steel CD8 Motorcycles publica hoje no facebook um que vale a pena entrar para esta minha galeria!
Medalha de São Bento.
Eu sou cristão, não católico, mas cristão, e símbolos cristãos me atraem, embora a tradição a qual pertenço os evite (de modo geral, mas especialmente os que representem a própria divindade).

Uma descrição do significado no símbolo pode ser visto neste link. Aqui eu cito um trecho:
Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai Bento".
Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz".
Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia".
No alto da cruz está gravada a palavra PAX ("Paz"), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.
À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana - "Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!" e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas - "É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!".
Esta medalha aparece no filme Constantine e, pelo último parágrafo citado, é fácil entender a razão. Também há um belíssimo isqueiro Zippo chamado, como era de se esperar, Constantine, com esta medalha, e que eu gostaria muito de ter, especialmente na versão Armor.
Zippo Constantine.

sábado, 17 de junho de 2017

Capacete Caberg Hyper X

Da última vez que comentei sobre capacetes, ou melhor, sobre comprar um, eu disse:
Em resumo, eu não vou ficar com nóia quanto ao capacete. Vou comprar e usar aqueles que meu bolso permitir e me forem confortáveis e agradáveis de ver, com segurança suficiente. Ou, em outras palavras, vou comprar o capacete que me apresente o melhor resultado na equação custo-segurança-conforto-estética, sem neuras!
Na época eu desejava o Shark Evoline 3, mas ficava satisfeito com o LS2 FF393 Convert. Acabou que não fiquei nem com um nem com outro. 

Ainda uso o old school na cidade e continuarei usando. Ele é bastante confortável e o risco, muito bem calculado, continua sendo mínimo, dadas as minhas contingências. Mas na estrada o capacete H-D fechado vinha me dando nos nervos cada vez mais. Eu realmente não me adaptei ao capacete fechado. Então precisava de uma solução viável que me satisfizesse.

Neste contexto apareceu o Caberg Hyper X, que, não mais importado pela Taurus, está sendo negociado em vários lugares por um valor bem interessante. Um amigo comprou e é só elogios. Então desci a Novo Hamburgo hoje para conferir. E voltei com ele.
Caberg Hyper X preto, como o que eu trouxe para casa.
De pontos negativos, apenas dois. Um é que ele é enorme. E o desenho não é o dos que mais me agrada. Ou seja, em termos de estilo, fico com meu old school (e até o da H-D é mais bonito). O outro é que ele não é lá muito silencioso. Mas também nunca tive um capacete silencioso. Para falar a verdade, eu duvido que exista um. Diz a lenda, e muitos a rezam, que por três mil reais o silêncio é sepulcral. Bem, eu não vou pagar para ver.

Já os pontos positivos são vários. 

Ele é homologado como fechado e como jet, bastando manter ou retirar a queixeira. Não me pareceu muito fácil colocar a queixeira de volta com o capacete na cabeça, mas, honestamente, o ângulo de visão da viseira é enorme, tão grande que o uso fechado é quase igual ao uso como jet, pelo que não vejo real necessidade de tirar a queixeira.

É possível colocar o capacete sem desmontar a queixeira, embora o procedimento recomendado seja a abertura de um dos lados para aumentar o diâmetro. Para mim não faz muita diferença. Eu prefiro tirar a queixeira e colocar o capacete no "modo jet" por conta dos óculos. Depois coloco a queixeira. Aliás, uma coisa que me irritava profundamente no H-D fechado era a pressão sobre as pernas dos óculos, o que me deixava sempre com uma enorme dor de cabeça. O Caberg é absolutamente confortável quanto a isso. 

Outra coisa que me agradou muito foi a abertura parcial da viseira. Há duas posições, uma quase fechada e outra com um fluxo um pouco maior de ar, que, devido à queixeira baixa e o ângulo que a viseira faz com ele, ficaram excelentes. Imagino que aquele problema de embaçamento que sempre tenho por aqui seja em muito minimizado com isso.

Por último, mas não menos relevante, há o nicho para o intercomunicador da própria Caberg, que, além de tudo, é bem mais em conta que a maioria do que há no mercado. Eu só fiquei curioso é com a posição do microfone, pois meu queixo fica a milímetros da queixeira. Mas isso é o de menos. Preciso encontrar e comprar esse intercomunicador, que, a princípio, usarei mesmo é com música e só.

Enfim, gostei muito desta aquisição. Sei que são primeiras impressões e isso pode mudar, mas não acho que seja o caso. Acho, isto sim, é que o Caberg me fará esquecer o Shark.