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A programação, divulgada no perfil do evento no facebook. |
Eu já estava há muito tempo sem rodar antes de fraturar o tornozelo. Depois então... ficou difícil sair. Na verdade nem tanto por falta de oportunidade, mas por contingências quando das oportunidades: chuva torrencial, motos em elevadores... enfim, fazia tempo que eu não fazia sequer um passeio curto.
Entre 6 e 8 de março aconteceu o 5º Carlos Barbosa Harley's Day, organizado pelo Banidos do Inferno MC. Eu já desejava ter ido em anos anteriores, mas... bem, desta vez organizei as circunstâncias familiares com antecedência e não me prometi expectativa. E o dia chegou e não havia impedimento.
O dia era o sábado, 7 de março. Eu gosto de acampar nos eventos e aproveitar a estadia para tomar um gole de cerveja a mais. Mas, desde meu terceiro filho, tenho preferido não me ausentar tanto de casa.
Queria ter acordado lá pelas 7:00 para sair às 8:00. Acabou que, um tanto cansado, acordei às 8:00 e saí lá pelas 9:00. Não sem antes deixar um beijo em minha esposa e nos três pródigos e fazer uma breve prece por eles.
A viagem foi bastante tranquila, exceto pelos ridículos e inaceitáveis buracos, especialmente nos trechos entre Vila Cristina e Bom Princípio e entre São Vendelino e Carlos Barbosa. Estas estradas gaúchas são mesmo uma vergonha. Quase tiram o prazer de qualquer passeio.
Mas eu conhecia o caminho e sabia da possibilidade de buracos. Mesmo caindo em um deles, toquei o meu caminho mais concentrado nas viagens sob o capacete do que na irritação do asfalto. E eu vi motos e carros antigos indo na mesma direção. Vi acenos na direção contrária e vi ignorarem acenos também. Vi uma bela mãe segurando seu recém nascido e vi uma sofrida jovem carpindo um terreno...
E eu vi um lixeiro cumprimentando todos por quem passava, sendo quase sempre solenemente ignorado. Mesmo assim, foi com um enorme sorriso que ele me cumprimentou quando ultrapassei o veículo do seu trabalho. Acenei com a cabeça entre divertido e comovido.
Vi uns locais que me sugerem passeios sem eventos e vi estrada e vi minha moto e me vi feliz em rodar novamente.
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Lady Day se ambientando entre suas muitas irmãs. |
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O palco do evento. Grande! E, pareceu-me, muito bem organizado. |
Rodei os cerca de 115Km e, chegando ao evento, lá pelas 11:00, vi que era algo grande e bem organizado, bem no meio da cidade, em uma praça, com um palco enorme e várias barracas com muitos cacarecos à venda e, claro, comida e bebida.
Eu já estava com fome e, após uma primeira breve olhada em todas as barracas, preferi comer no comércio ao lado, até porque precisava carregar meu celular. O filé à parmegiana estava bom. A IPA também.
Ao voltar ao palco e às barracas, fiquei detestando o ter ido solo. Eu me sinto como um cachorro que, tendo corrido atrás do carro, ao vê-lo parar, não sabe o que fazer. Então fiz as coisas que eram óbvias para mim.
Não irei as fotos que desejava nem fumei o charuto que levei porque não me apeteceu. E eu já achava, dado o calor e o estar sozinho, que não me demoraria muito no evento.
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O Trindade liquefeito. |
Tomei dois bons goles de cerveja, IPA, uma delas bastante divertida para mim. Eu havia lido na sexta um conto de Otto Lara Resende chamado Filho do Padre. Não é que encontro no evento o próprio Trindade liquefeito! Isso é que é redenção!
Depois fui a uma das barracas e comprei umas camisetas com o tema H-D para toda a família. Já até imaginava minha esposa nos vestindo todos com elas para o culto público no dia seguinte e exigindo uma foto antes de sairmos. Dito e feito (mas não deu tempo de tirar a foto, ainda bem)!
Por fim dei uma última olhada nas motos estacionadas e já me aprontei para voltar para casa. Ao ligar para minha esposa, que esperava minha decisão do horário de volta para saber se teria tempo de ir num evento ela mesma mais à noite, ela me perguntou:
- Valeu a pena assim tão rápido?
- Sempre vale a pena pegar estrada, mesmo que seja uma distância curta como essa. - eu respondi. E acrescento agora que só não aproveitei mais do evento em si por estar sozinho. Gostei do que vi lá. É bem capaz de, num próximo ano, eu levar a família toda.
Voltei para casa um pouco mais rápido do que fui ao evento. Viajei menos dentro do capacete, vi menos coisas além da minha própria felicidade em rodar novamente. E ainda deu tempo de passar na Edelbrau, em Nova Petrópolis, para pegar três cervejas para o churrasco de domingo.
Cheguei em casa bastante cansado, apesar do passeio tão rápido e tão curto. Talvez tenha sido um pouco do sol, talvez o cansaço acumulado da semana, talvez um pouco da idade que vem avançando rápido, talvez seja o tempo sem rodar... Não importa. É sempre um cansaço feliz!