quinta-feira, 21 de setembro de 2017

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A moto e a esposa

Eu, minha esposa e Lady Day.
Está rolando uma discussão bem legal no Forum H-D sobre um cara cuja esposa quer pilotar. Eu tenho sentimentos algo contraditórios a respeito. 

Quando voltei a pilotar, já casado e após um longo período sem moto, eu queria porque queria que minha esposa me acompanhasse. Muito pela companhia em si, uma boa porção porque há certas coisas que dão desejo enorme de compartilhar, um pouco porque ir junto é mais fácil que negociar o alvará. E se desejava a garupa, imagine uma companhia com outra moto!

Mas com o tempo, e porque ela nunca realmente curtiu, apesar de, sabendo do meu gosto, sempre me apoiar e até namorar motos comigo, comecei a perceber certas vantagens em rodar sempre sozinho.

Uma destas vantagens vem do meu próprio temperamento ensimesmado. Eu preciso de um tempo em solilóquio para esquecer do mundo e relembrar do que realmente importa. Para descansar e voltar à carga do dia a dia. Acho que, acima de tudo, minha esposa sabe disso e nunca faz muito drama para me conceder o alvará. A "autoridade competente" apenas me exige que nossas agendas sejam combinadas com certa antecedência.

Outra vantagem é que eu realmente detesto andar garupado. Eu confesso, sou um medroso e um meia roda. Na verdade até prefiro confessar isso a cada rolê. Porque assim eu evito todo exagero da autoconfiança. E se é assim solo, imagine garupado, quando a moto muda completamente todo comportamento. Toda vez que minha esposa senta na garupa, eu me sinto como um novato sem saber direito o que fazer a cada reação da moto. Isso traz desconforto a ela, porque percebe minha insegurança, e a mim, porque fico numa tensão dos infernos.

E eu descobri também que, se bem que seja divertida, às vezes, uma companhia em outra moto, no mais das vezes a companhia é um fator gerador de preocupação e tensão constantes. A gente sempre espera encontrar alguma sintonia na tocada e na postura na estrada, mas eu descobri que isso é algo raro. Isso quanto a uma companhia qualquer, imagine a própria esposa! Eu acho que eu ficaria tão preocupado e tenso que boa parte do prazer se esvairia.

A família reunida.
Agora, estou falando apenas da esposa. Na discussão do Forum alguém lembrou do filho, que começou a rodar com ele. Minha nossa! Eu nunca tinha pensado nisso. Sempre disse que gostaria que meus filhos me acompanhassem nos passeios e viagens. E ainda digo e direi. Mas agora já acordei para a realidade de que isso me deixará tenso e preocupado. Filhos! São uma dolorosa delícia!

No fim das contas, eu ainda sinto uma alguma frustração em não poder compartilhar aquelas certas coisas que a estrada nos proporciona. Pelo que, sim, entendo que é um privilégio uma esposa que acompanhe. Mas, no quadro geral, eu realmente prefiro o rodar sozinho, com a compreensão e o apoio da minha esposa e com o prazer de voltar, renovado, a ela e aos meninos. E como é prazeroso, e não menos privilégio, o poder ir a esmo e depois voltar ao calor e ao conforto do lar, aos beijos e abraços de amados que nos amam!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Do que realmente importa

Imagem: Renata Daniella Vargas.
Uma coisa leva a outra e nem sempre entendemos como ou porquê.

Assim é que hoje li uma nota de pesar pelo falecimento de um motociclista e acabei lembrando de uma outra história, a desta postagem do Bayer no Old Dog Cycles.

É claro que imediatamente a gente pensa que a vida é curta e que a gente tem que aproveitá-la, dando valor ao que importa. Mas eu fiquei pensando que precisamos de um passo além...

Porque, ao lembrar desta história, eu fiquei mesmo é a pensar na ex-mulher do cara, não no cara. Não dá para saber dos detalhes da vida dela, nem do próprio cara, de modo que possamos fazer maiores juízos. Mas não é essa a intenção. Pois me basta saber que houve incidente suficiente para que uma pessoa, ela, ferrasse a vida de uma outra pessoa, o cara. 

E isso me leva a pensar em tanta gente que, não importa a frustração e a tristeza que estejam a passar, acham que podem encontrar grama mais verde em terrenos vizinhos. E que, ao se aventurar em tais terrenos, só possuem olhos para sua própria frustração e tristeza, só possuem olhos para seus próprios umbigos, e agem sem se importar realmente com a frustração e tristeza que vão deixar para trás em outros, sem que efetivamente deixem de encarar sua própria frustração e tristeza.

Talvez se pense que eu quero fazer alusão à traição em um casal, mas não. E não quero que nos coloquemos no lugar do cara, isso é fácil, mas no lugar dela. Pois quem de nós não é tentado? Penso mesmo em qualquer situação em que sejamos tentados a expurgar nossas dores fingindo que não sabemos que este expurgo causa dores em outrem.

Temos pais, irmãos, filhos, amigos... Enfim, mesmo quando não parece ser assim, temos gente que se importa. Note bem: o sofrimento, enquanto neste tempo, aí está até que tudo seja, por fim, restaurado. Todo lenitivo que o ignore é ilusão. E nenhuma ilusão de cessação de nossos sofrimentos vale o causar o sofrimento alheio, e tanto mais quando estamos afetivamente ligados, de algum modo, a quem fazemos sofrer.

De fato, a vida é curta e a gente tem que aproveitá-la, dando valor ao que importa. Acima disso tudo, porém, a gente precisa desesperadamente de discernimento sobre o que realmente importa.

O que fazemos neste tempo reflete na eternidade. E, meu caro, não importa se você não acredita na eternidade. Por isso, pense bem!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Capacetes: Medalha de São Bento

Falando em capacetes, enquanto eu postava sobre o que comprei, fiquei pensando que já faz milênios que postei fotos de capacetes que gostei. O primeiro foi lá em janeiro de 2016, e o segundo em julho, também de 2016. Muito, muito tempo passou.

E não é que, desejoso de publicar sobre um capacete, mas sem buscar por nenhum, a Steel CD8 Motorcycles publica hoje no facebook um que vale a pena entrar para esta minha galeria!
Medalha de São Bento.
Eu sou cristão, não católico, mas cristão, e símbolos cristãos me atraem, embora a tradição a qual pertenço os evite (de modo geral, mas especialmente os que representem a própria divindade).

Uma descrição do significado no símbolo pode ser visto neste link. Aqui eu cito um trecho:
Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai Bento".
Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz".
Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia".
No alto da cruz está gravada a palavra PAX ("Paz"), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S.
À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana - "Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!" e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas - "É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!".
Esta medalha aparece no filme Constantine e, pelo último parágrafo citado, é fácil entender a razão. Também há um belíssimo isqueiro Zippo chamado, como era de se esperar, Constantine, com esta medalha, e que eu gostaria muito de ter, especialmente na versão Armor.
Zippo Constantine.

domingo, 28 de maio de 2017

E visitei a Indian...

... Com direito a test ride e tudo o mais!

Indian Chief branca e seu Thunder Stroke.
Aproveitamos os últimos dias das minhas férias para visitar a avó da minha esposa, que está com câncer (maldita doença!) em Campo Limpo Paulista/SP. E já que fomos para São Paulo, minha esposa, a autoridade competente, obrigou-me a ficar de chofer carregando a família para cima e para baixo, visitando também outros parentes e amigos.

Como chofer da autoridade competente, tive pouquíssimo tempo para fazer outras coisas. Mas no último dia por lá, após um passeio com as crianças no Instituto Butantan, arrastei esposa, filhos, sogra e cunhado para a concessionária Indian que fica na Avenida Bandeirantes. 

Fui querendo ver in loco principalmente a Springfield. Que não havia. Segundo o vendedor, as Springfield chegam ao Brasil a conta gotas e já vendidas. Uma pena, mas a visita não foi de forma alguma perdida. Tirei minhas próprias impressões, nada técnicas e absolutamente pessoais, que relato a seguir...

Primeiro o final, porque eu nem dei tanta atenção a Scout e ela foi a última nos ass tests. Não tenho muito a dizer exceto que fiquei realmente impressionado com o tamanho da moto: é minúscula. E levíssima. Sinceramente me senti mais numa pequena street do que numa custom. Mesmo as Sportsters com tanque peanut, em que me sento e sinto "faltar moto", possuem o imponente Evolution sob nossas pernas para nos lembrar que é uma H-D. A Scout me pareceu uma Twister. Não que eu a despreze, ao contrário, mas... Não é moto para mim.

Os ass tests na Chief e na Roadmaster igualmente me impressionaram pela leveza das motos. Elas são enormes, mas mesmo a Roadmaster foi dócil para erguer e "mexer". Pelo menos parada. Chego a compreender os relatos que dão conta que "é tudo plástico". Mas não caio no conto do HOG apaixonado. As Indian são belíssimas, extremamente bem acabadas e, bem, possuem o Thunder Stroke, aquela obra de arte!

Uma coisa que me deixava curioso eram os alforges: o tamanho e o contato deles no paralamão. Quanto ao tamanho, num primeiro momento eles me pareceram um pouco menores em comprimento que os das Tourings H-D. Por outro lado, a ausência de um amortecedor parece compensar, e bem, o volume. (E isso vale para o alforge em couro da Vintage também.)

Como minha curiosidade se concentrou nos alforges, o vendedor me mostrou os pontos de tomada 12V (no tourpak e nos alforges). Isso é algo que eu não sabia que tinha e pode ser muitíssimo útil.

Quanto aos pontos de contato dos alforges no paralamão, as motos em exposição têm um adesivo plástico de proteção. O vendedor me disse que é menos por um possível arranhar por vibração e mais porque os curiosos que vão aos montes na loja, principalmente aos sábados, nunca andaram numa custom e batem a perna no alforge tanto ao se aproximar para olhar quanto para subir na moto. Eu achei a história engraçada, mas nada convincente. Talvez as Indian não sofram mesmo de tremedeira, mas eu acho que aquele adesivo protetor acabaria sendo uma necessidade. É uma borracha, eu sei, mas... Sei lá, Achei que é um ponto fácil para aparecer arranhões.

Outra coisa que gostei sobremaneira foi a posição do guidão. Ele me lembra muito o que eu fiz na minha finada Heritage, apenas um pouco menor, e me parece que eu necessitaria de pouco mais de pullback para me sentir mais confortável.

Preparando-me para o test ride.
No finzinho, o vendedor me ofereceu um test ride na Chief, o que aceitei com extremo prazer. O trecho foi curto, sem curvas (o que me frustrou um pouco, pois eu queria deitar um pouco a menina em movimento para ver qual é), mas foi o suficiente para confirmar, ao menos como impressão, que um guidão com mais pullback me seria necessário. Como eu colocaria mesmo um beachbar, isso já estaria na conta. 

Eu me atrapalhei um monte com as setas. Uma vez padrão H-D, sempre padrão H-D. É questão de se acostumar, é verdade, e é mesmo uma insignificância, mas eu odiei aquilo. A propósito, o vendedor foi me guiando numa touring que, apesar do tourpak, acho que era uma Chieftain (eu não reparei na hora). Atrás dele eu ia ouvindo a música que ele colocou no som dela. Olha, andar com som é mesmo muito legal. Ainda não tenho desejos por fairings fixos (prefiro um destacável na H-D, ou o parabrisa na Indian), mas desejo cada vez mais som na moto.

Agora, o que me impressionou muito mesmo foi a maciez do conjunto amortecedor/banco. É bem verdade que minha memória da Heritage está mais distante e o que me é constante é a tremedeira e o pula pula da Sportster. Mesmo assim, a Chief me pareceu muito, mas muito mais macia que a Heritage. Também mais que a Road King (que dei uma volta mais ou menos do mesmo tamanho aqui mesmo em Canela). Segundo dizem, a Springfield, com as diferenças da linha touring, como o ângulo do caster, seria uma moto ainda mais confortável. Rapaz, melhor eu nem testar!

Ah, sim, não senti a moto vibrar. Mas, como eu disse, estou mais acostumado com a tremedeira da Sportster, então nem consigo ter um parâmetro para sentir isso. De todo modo, a Heritage tremia muito pouco. Não acho que eu sentisse falta dessa característica não. O que me importa é que o motor é torcudo como deve ser um motor de custom. E, ah, mano, eu nunca me canso de dizer: o Thunder Stroke é uma obra de arte!

E é isso. Meus filhos até estavam se divertindo entre as motos, mas esposa, sogra e cunhado estavam ansiosos por voltar para casa. A visita foi curta, mas me foi o suficiente. Se eu trocaria a H-D pela Indian? Facilmente, não fosse tão difícil ($).

Segue um videozinho curto da visita, com as fotos que tirei e com o trecho de saída do test ride, filmado por minha esposa:

Chief test ride.