sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

2ª Noite dos Líquidos Biblicamente Permitidos

De fato as ocasiões para uma NdLBP são raras. A última, que havia sido a primeira, faz mais de um ano (ver em 1ª NdLBP). Claro que neste meio tempo eu aproveitei a Caverna sozinho. Mas o objetivo das NdLBP é ter companhia. Na noite deste oito de janeiro houve a segunda ocasião.

Tenho conversado com o Matheus Doresbach sobre motos desde que ele me disse que desejava adquirir uma. Até que ele adquiriu uma Iron e já combinamos fazer dois passeios: um bate e volta para Torres/RS (notícias aqui em breve) e um bate e fica em Florianópolis/SC (notícias aqui em breve também).

Ele estando em férias por estes dias, porém, comentou de vir a Canela passear com esposa e filho. Então eu o convidei para dormir aqui em casa. Convite aceito, aproveitamos para fazer alguma fumaça e bebericar um single malt e um bourbon. Tudo cortesia dele, vejam só!

Eu e o Matheus (e as aranhas moradoras da Caverna) iniciando os trabalhos.
A propósito, o barracão está um caos. Com algumas obras nos fundos de casa,
o barracão fica um tanto largado. Em breve tais obras ajudarão em planos de
necessárias e desejadas melhorias para a Caverna.
Para mim foi especialmente interessante experimentar o single malt, pois eu nunca havia tomado. Até porque priorizo adquirir vinhos, que fazem mais o meu gosto. Ele nos trouxe um Glenfiddich 12 anos. De fato, é muitíssimo mais macio que os blended. E que os bourbons. Mas eu ainda prefiro os americanos. Aliás, se bebericamos o single malt, acabamos com o resto do Bulleit que ele trouxe.

Embora me pareça que ele desejasse mais cachimbar, cedeu logo ao meu desejo pelo charuto. O dele um Dona Flor e para mim um H. Upmann. Bem, teremos, espero, ocasião para o cachimbo, meu caro!

Entre goles e fumaça, ficamos papeando até cerca de três da madrugada. Papeamos sobre a vida, sobre motos, sobre teologia... Foi um tempo agradabilíssimo.

Agradeço ao Matheus a presença com sua família e também pelos regalos todos.

domingo, 22 de dezembro de 2019

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Ricardo Mamedes, in memorian

Conheci o Ricardo Mamedes nos tempos em que este blog tinha um viés de reflexão teológica (e um pouco filosófica também). Discutimos bastante, aprendemos bastante. Concordamos, discordamos. Rimos e brigamos. Acima de tudo, fizemos amizade.

Ao longo do tempo, descobrimos que, além do gosto por aqueles assuntos teológicos, era um gosto comum o amor por motos. Especialmente as Harley-Davidson. Eu acabei adquirindo a Heritage. Ele uma Fat Boy.

Mantivemos contato pelas mídias sociais durante o tempo em que o blog ficou moribundo, sem assunto. Mas como ambos temos um humor um tanto ácido e um tanto incompreensível um ao outro, afastamo-nos nas postagens, sem perder o contato nas mensagens instantâneas. Ele até veio, com a família, visitar minha família.

Foi mais ou menos nessa época que ele nos contou da sua doença autoimune. Algo grave, mas que estava sob controle, ele dizia. O que me assustou, porém, foi ele dizer: "Está tudo bem, mas posso, de repente, sem aviso, morrer."

E continuávamos a conversar sobre motos até que surgiu a idéia e a ocasião de fazermos uma viagem ao Uruguai. Para mim, além da viagem em si, o que me é sempre enorme prazer, seria uma oportunidade de acompanhar o Ricardo numa viagem que seria um sonho realizado tanto para ele como para mim.

A Fat Boy e a Heritage em Diadema/SP, na casa do meu sogro.
Havíamos, antes, nos encontrado em São José dos Campos/SP, onde iniciamos a viagem juntos.
Acabou por ser uma viagem bastante atribulada. Tive problemas elétricos quando subia a SP. Depois que nos encontramos lá, tive problemas com os rolamentos de roda e perdemos um bom tempo no dealer. Ainda, tudo arrumado, quando partíamos, relativamente tarde, desencontramo-nos na descida para Santos.

Parece que era um aviso. Por fim, quando a viagem finalmente seguia, não chegamos ao destino. Paramos em Tubarão/SC num acidente que acabou por dar perda total na minha moto. Isso, por si, daria um bom "causo" a contar. Aqui, porém, digo apenas que foi um baita susto, mas, exceto pela perda total, nada grave.

Após acionar o seguro, levamos as motos de volta a Florianópolis e ficamos por lá um pouco mais, aproveitando praia, cerveja e camarões. Mesmo em meio aos reveses todos, a viagem não deixou de ser divertida.

Depois ele voltou para sua casa e, como minha moto ficou no dealer, eu voltei para a minha de táxi, via seguro.

Ricardo e eu, em Florianópolis, aguardando o rodízio de camarão.
E o tempo seguiu seu curso. Nós tínhamos conversas cada vez mais espaçadas, mas, entre os papos sobre motos e passeios, havia a promessa de nos encontrarmos novamente em minha casa. Infelizmente não houve tempo. Um dia um amigo comum me fala: "Soube do Mamedes? Nosso amigo está com o Senhor, bro."

Um acidente. Desta vez um realmente grave. Justamente com a Fat Boy. A morte sempre nos será dolorosamente triste. Dolorosamente triste, mas jamais maior que a esperança que nos anima. Lamentamos a separação neste tempo na expectativa da reunião que virá. Assim me despedi, à distância, do meu amigo.

Bem, já faz um tempo desde sua passagem.

Então sua esposa entrou em contato comigo um dia destes: "Roberto, logo após o falecimento do Ricardo, eu e minhas filhas separamos algumas coisas para guardar de recordação e o restante doamos para amigos, parentes e pessoas carentes. Resta ainda uma jaqueta de couro H-D. É muito bonita e está nova, pois quase não foi usada. Ele tinha o maior xodó com ela. Eu e minhas filhas conversamos e gostaríamos que ela ficasse com você. Se você quiser, claro. Posso te mandar foto depois. Fique a vontade para recusar."

Como se recusa algo assim? - pensei. E como não ficar grato? Respondi: "Não preciso nem olhar e de forma alguma eu poderia recusar. É uma alegria que vocês tenham pensado em mim e uma honra carregar no corpo uma lembrança do Ricardo, ainda mais de algo que ambos curtimos tanto. Hei de fazer uma viagem com ela, preferencialmente para o Uruguai, em lembrança e homenagem a ele."

A jaqueta chegou agora em dezembro, apropriadamente como que em uma antecipação do Natal. Um presente para mim das amadas de um irmão como lembrança dele.
A jaqueta: frente.
A jaqueta: costas.
Baita! Como não entender perfeitamente o xodó que o Ricardo tinha por ela?
Eu sempre desejei uma jaqueta de couro da H-D. Porque são bonitas, porque são práticas (considerando o uso no motociclismo), porque protegem, porque gosto da marca. Entendo perfeitamente o xodó que o Ricardo tinha por ela. Mas são jaquetas de valor para aquisição relativamente alto e eu sempre priorizei, porque precisei priorizar, outras demandas.

Esta jaqueta, porém, mesmo que não fosse "de couro da H-D", seria impossível recusar. Como se recusa algo assim? - repito. Porque se na hora de comprar o valor monetário importa, uma lembrança dessa, fazendo com que a jaqueta chegue a mim nas circunstâncias como chega... O valor desta jaqueta é inestimável!

Usarei a jaqueta com honra. Deus permitindo, hei de realmente fazer esta viagem ao Uruguai e, vestido com ela, terminar aquela nossa viagem que ficou pela metade. Hei de tirar uma foto em Montevideo em lembrança e homenagem ao Ricardo. 

E então aguardar pela consumação da esperança que nos anima. Reunirmo-nos nas Bodas e além. E quem sabe como será este além, o porvir? Talvez ainda tenhamos H-Ds na nova terra. Viajaremos novamente juntos, sem temor de lágrimas. Para a glória dEle e gozo nosso!
Olhando ao passado: Nosso encontro em São José dos Campos/SP.
Voltando os olhos ao futuro: Até breve, meu irmão!

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Garagem, necessidade, lembrança e homenagem

Como sabem, eu gostaria de uma segunda moto. Está nos planos. Futuro distante, é verdade, mas está nos planos.

Só que, além das prioridades (especialmente a casa, que é uma obra que, pronta, nunca termina), a necessidade (especialmente o terceiro filho e a chuva constante) exige um segundo carro. E, como sabem, eu desejava um Opalão. Com a onda retrô, porém, o Opala é sonho distante, até porque prefiro a segunda moto que um Opala.

Então pesquiso um usadinho com um visual que me agrade. Coisa para um futuro próximo, é verdade. Nada de imediato. Nenhum comprometimento das prioridades. Assim, sem lá muita expectativa, vou pesquisando... E, ao pesquisar certa faixa de valores, dei com um Astra branco. Um Astra branco!

Alguns amigos mais próximos logo vão lembrar de algo que eu disse faz uns dois anos, em De duas orações paternais. Leia (ou reeleia) e me entenda. Eu estava de olho mesmo em outros modelos, até aqui. Agora, porém, desejo um Astra branco.

Se o mítico estará para sempre além do meu alcance, meu coração bem pode acelerar mais que apenas com o que passa, mas com um cuja direção posso empunhar.

Ainda é sombra, mas é sombra que faz bela homenagem!

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Motos e fotos 19

Baita foto do NegoLDB, do Forum HD.

“Tipo deserto do Arizona.” - ele diz. E explica: “Na verdade é uma estradinha aqui perto de Londrina, com asfalto (ainda que pista simples e sem acostamento)... Calhou que a gente parou nessa entrada de fazenda e tinha um cacto lá. Nada como um bom ângulo para fazer parecer o deserto.”

Dizem que o diabo está nos detalhes. Num cacto em meio a cercas e terra.. Não me parece. Ainda que ele se esforce em seduzir, na beleza dos detalhes o que vejo é Deus!