sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Garagem-bar 4

Parte II - Cachimbo

Autor: Roberto Vargas Jr.
Nota: No cantinho do castigo: bora fazer fumaça!
Eu me amarro em cachimbos. Há um quê de sabedoria, um quê de reflexão na imagem de um homem cachimbando. Talvez não seja uma verdade, pelo menos não para todo e qualquer caso, mas não deixar de ter razão ser. Pois encher o fornilho, acender o tabaco e mantê-lo aceso... É um ritual e uma arte. 

Com a postura certa, é mesmo um excelente e prazeroso momento de intimidade com o Criador. E eu posso entender muito bem quando o Robinson Crusoé de Daniel Defoe, isolado em sua ilha, diz que o que mais lhe faz falta é um cachimbo.

Assim que comecei a cachimbar, eu tentei manter um registro dos tabacos: para não esquecer deles - pensava eu. Mas logo perdi o interesse porque minha relação com cada lata (ou seja lá qual for a embalagem), por eu ser um fumante ocasional, é bastante longa. Tão longa que é difícil esquecer as experiências, sejam elas boas ou ruins. 

Não faço caso de voltar às experiências ruins, mas uma, que não se pode chamar exatamente "ruim" é interessante. Conversando com um amigo cachimbeiro, eu disse que gostava demais do sabor e do aroma dos tabacos aromatizados com cereja, além do cheiro que fica impregnado no cachimbo. Ele me responde que isso mudará com o tempo. Eu achei que não; e respondi que não fazia caso de apurar o paladar como me ocorreu com o vinho (não que eu seja um expert, mas que já não é qualquer vinho que me desce). 

Bem, parece que a coisa é mesmo inevitável, mesmo para um fumante tão ocasional quanto eu. Não é que eu tenha de todo abandonado o gosto por aromatizados tão fortes quanto estes (ainda gosto do Cândido Giovanella Pêssego, e sua densa fumaça, por exemplo), mas, de fato, tabacos de maior qualidade se apresentam menos químicos ao paladar.

Das experiências boas, faço um resumo em lista, mais ou menos em ordem cronológica, do tipo "gostei de" (apenas com as melhores delas): 
  • O sabor de ameixas do Davidoff Blue Mixture;
  • Do aroma, mais que do sabor, de damasco do Cornell & Diehl Apricots & Cream.
  • Do aroma e sabor um tanto cítricos do McClelland Honeydew, fora ser a primeira experiência com flake (tratado erroneamente, diga-se, o que me faz querer tentar de novo). Também devo dizer que sobre o "gostei" deste tabaco que foi "muito".
  • Da belíssima lata e do delicioso aroma, apagado ou aceso, mas nem tanto do excesso de doçura, do Sutliff Molto Dolce.
Gostei um pouco também do suave sabor de chocolate dos Captain Black que experimentei (Royal e Light; achei que os dois tinham este sabor de chocolate, mas gostei mais do Light que do Royal), mas, como não foi nada assim espetacular, deixo fora desta lista.

Agora estou me dedicando à enorme lata (100g) do Mac Baren Vanilla Cream. Estou gostando muito deste tabaco, que é adocicado na medida certa para mim. Mas este terá seu registro na Garagem-bar em tempo oportuno!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente o que quiser, concordando ou discordando, sugerindo, elogiando ou criticando, mas seja sempre educado. Qualquer comentário que seja ofensivo ou vulgar não será publicado.
Comentários de anônimos sem assinatura também não serão publicados, qualquer que seja seu conteúdo. Nem comentários puramente marketeiros.