terça-feira, 2 de agosto de 2016

Garagem-bar 1

Ao falar em garagem-bar eu mencionei cachimbos e charutos entre os meus prazeres. Dado meu contexto, porém, convém acrescentar uma pequena nota: antes de mais nada, eu sou um cristão, e como cristão eu tenho uma relação, digamos, “conturbada” com o tabaco. Mas, para resumir a história, indico um livro que segue bem próxima da minha posição a respeito: Os charutos, o cristão e a glória de Deus, de Joe Thorn.

Isto dito, e não vou entrar nas questões que o livro já trata, devo dizer que tenho ojeriza a cigarros e não suporto seu fedor nem o hálito de quem os fuma (o que depende, em muito, da frequência do uso). Ademais, meus pais eram fumantes e a tortura de conviver com a fumaça em casa e, principalmente, no carro foi traumatizante. É algo do que sempre manterei distância.

No "cantinho do castigo" (o lugar em que me "isolo" para fumar), 
com um Bazzanelli "Sherlock" e fornilho encerrando restos de 
Molto Dolce (Sutliff Private Stock) e CG pêssego. Ficou bom!
Já os cachimbos sempre me pareceram algo mais agradável. Primeiro por aquele ar “inteligente” que o cachimbo confere a quem o fuma. Depois porque, ao contrário do cigarro, o aroma que os tabacos para cachimbo deixam no ambiente é delicioso. 

Lembro que, certa vez, entrei num elevador com um dono de empresa que fumava seu cachimbo com o tabaco aromatizado de pêssego. Apesar do trauma do cigarro que ainda me deixava com mil reservas quanto a qualquer tabaco, naquele dia eu decidi que em tempo propício eu experimentaria este negócio.

Isso aconteceu algum tempo depois e hoje devo dizer que o ritual de enchimento do fornilho, o tempo dedicado e a meditação associada, além dos sabores e aromas, tudo isso me conquistou. E tanto mais porque procuro apreciar tudo em solidão, tentando não incomodar ninguém, o que combina demais com meu temperamento ensimesmado. 

Na verdade, quase todos os meus prazeres são assim, com esta característica de serem mais bem aproveitados em solilóquios. Até mesmo com a cerveja, que, embora eu não dispense companhia numa mesa de um bom barzinho, prefiro a que aproveito em casa, pensando cá com meus botões. Até mesmo com o vinho! Se bem que o vinho pede mesmo por companhia...

Mas isto é outro papo. Estou falando agora é de tabaco. 

Meu segundo charuto, um Vasco da Gama Corona.
É um short filler, sugerido pela tabacaria para um iniciante como eu.
Acompanhado de um Johnny Walker Black Label.
E falta falar do charuto. Eu achei que jamais fumaria um charuto. O cheiro é ainda pior que o de cigarro. Pior? Bem, não exatamente. É mais forte, sem dúvida. E mais agressivo. Mas talvez o aroma seja menos desagradável. Seja como for, experimentar charuto me parecia uma impossibilidade.

Mas minha irmã se confundiu e pensou que eu fumava charuto e não cachimbo. Vindo do Caribe, trouxe-me um. Que eu aceitei e resolvi experimentar. E não é que o sabor é muito bom! Até mesmo o aroma, que eu achava muito difícil de suportar, após experimentar passei a considerar bastante agradável. 

Bem, este da foto ao lado é apenas meu segundo charuto. Eu chego quase a dizer que charuto é melhor, quanto ao sabor, que o cachimbo. Mas a verdade é que eu não posso dizer isso. Porque eu não sou um fumante experiente nem assíduo. Nem desejo passar a ser. Quero que estes prazeres se mantenham assim: bastante ocasionais, simples e, principalmente, dependentes do solilóquio que meu temperamento exige.

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