quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ao Ednaldo, em amor que resta sem afeto

Caro Ednaldo,

Sei bem que, quando alguém quer porque quer, não há como demovê-lo. Mesmo assim, naquela velha conhecida minha, a esperança de um tolo, não posso deixar de dirigir-lhe palavra. 

Pois bem, devo eu iniciar perguntando: quem foi que falou que o decreto não abarca tudo ou que o homem pode se ver livre dele? Numa resposta que se pretende dirigida a mim, tal acusação não cabe. Ou ainda: quem falou em autores desconhecidos ou pouco valorizados? Neste caso, parece-me mais que você é o culpado do erro que me condena por ser eu desconhecido e nada valorizado. 

Quanto a mim, que seus ídolos sejam conhecidos e queridos ou não, pouco me importa. Mas me importa que um texto que pretende falar de mim fale, efetivamente, de mim. Aquilo que eu não disse não está em questão. Se quer ser honesto intelectualmente e assim ser considerado, faça por merecer.

Ora, então há mistérios? Só não na Palavra? Bem, há muito que acho sem graça essa relutância em relação ao uso do termo. Esta briga por não haver mistério é simplesmente boba. Deus é Ele mesmo um mistério. Ele ter Se revelado é um mistério. A profundeza de Seu amor é um mistério. O porque de eu ser um de Seus escolhidos é um mistério. Ora, que tenhamos uma mente que capte, e como por espelho, o que Se revela é, em si, um mistério. OK, vocês podem não gostar do termo e fazer seu discurso que exalta a lógica desde o Logos e afirmar que no que Deus revela de Si não há mistério, mas não sei em que isso os ajuda exceto no espírito sectário que revelam. Mistério na Palavra há aos montes. Depende só de os encararmos como convém.

A propósito, li algo de Clark e, ainda que ele seja mesmo um racionalista, sua luta é contra a irracionalidade. Uma luta válida e nobre, embora ele tenha ido longe demais para o lado oposto. Vocês deveriam lutar sua luta, mas não ir ainda mais longe que seu mestre. Mas isso é só um conselho de um tolo que será prontamente ignorado.

Quanto a uma doutrina dever ser logicamente originária da Palavra, ora, e novamente, quem o negou? Mas a posição-resumo do Sabino não deduz nada da Palavra. Pressupõe e afirma. Compreensível, dado que ele não queria argumentar, assim como eu. Porém, o que afirma não é válido, logicamente. E você, que tanto estima a lógica, deveria saber disso.

Entretanto, os esforços em afirmar biblicamente a responsabilidade sem liberdade, dado que por liberdade não se entende autonomia, são fadados ao fracasso. Mas, veja, deveríamos definir "liberdade" e "autonomia". Pelo que poderíamos concordar que a responsabilidade não está na liberdade que é autonomia, mas ainda há muito pelo que se discordar se por liberdade temos outra coisa em mente. isso é coisa, no entanto, que não desejo discutir com você, dado o tom de sua inimizade desde a minha pergunta sem resposta. Mas aqui o que cabe dizer é que seus argumentos são quixotescos e seus dragões não passam de moinhos de vento. 

Enquanto você não souber o que pensa aquele que você pensa refutar, você não faz mais que dar socos ao ar. Você diz estar gostando do embate. Até o presente momento não o vi argumentando seriamente comigo. Eu o vi bastante birrento, brigando comigo por coisas que eu não disse e refutando argumentos que eu não tenho. 

Eu lamento pela resposta que não foi dada. E lamento pelo que se disse a seguir. Lamento ainda mais que tudo tenha sido resumido por picuinha. Talvez eu tenha esperado de você e de alguns outros mais do que devia. Não repetirei este erro. 

Que Deus tenha misericórdia de nós!
SOLI DEO GLORIA!

5 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Roberto,

prometi a mim mesmo não mais entrar neste debate, apenas ler e refletir naquilo que os irmãos argumentarem e proporem, e quando necessário, publicar o que considerar bom para ser publicado [como já lhe disse, no geral, não no particular].

Entendo que este debate está trilhando mais o campo pessoal do que o desejado, e tenho percebido não apenas um confronto de ideias mas entre pessoas [as ideias têm sido o "mote" para se atingir o indivíduo].

Sei que todos somos tolos [a humanidade em geral, e eu em particular], mas penso que muitas vezes afirmar isso de fulano ou beltrano, ainda que seja possível incluir a si mesmo no rol dos tolos, é um escamoteio para a agressão gratuita. Que cada um esteja consciente da sua própria tolice, sem que eu seja o alardeador daquilo que vejo em mim mas aponto basicamente no outro. Como se a minha confissão servisse muito mais para revelar a tolice alheia do que a minha própria; um subterfúgio para eu acusá-la mais fortemente no outro do que em mim mesmo. Com isso não estou-lhe chamando de caluniador, detrator, etc, porque está a revelar uma verdade, o problema é que ela parece mais visível no outro do que em mim mesmo, e nisso, penso, há um grave erro de perspectiva, o que vale dizer que a capacidade de autoreconhecer a minha tolice faz-me um tolo superior ou menor [em tolice] do que aquele que não é capaz de reconhecê-la.

Penso, também, que a definição de termos é necessária, especialmente no que se refere aos temas ou discussões apresentadas.

Penso que uma ferida se abriu e que me parece distante o momento em que será curada... vejo-a apenas pululando e sangrando.

Penso que sou responsável por boa parte dela, e de que devo evitar aumentá-la, ainda que possa me trazer um prazer e o sentimento de vitória a cada estocada em que atinjo o alvo...

Penso que, em tudo, devemos ser prudentes, comedidos, e sábios. Ao menos, devemos buscar cada um deles, para não sermos incluídos no rol dos tolos, mas, sobretudo, para não permanecermos nele. Há orgulho, muitas vezes, quando afirmamos nossos defeitos sem o arrependimento necessário para odiá-los.

Sei que nada do que estou dizendo tem a ver diretamente com a sua postagem, com o tema dela, que foi uma refutação ao texto do Ednaldo; mas falo isso por causa do termo "picuinha", uma palavra infeliz que eu disse num momento infeliz, em que a minha tolice atingiu o ápice da estupidez. Arrependo-me do que disse, mas não adianta eu ficar sempre me arrependendo do que disse e continuar a dizê-lo. Então, não o direi mais; e oro a Deus para não recair nesse pecado.

Porém, fica-me ainda a impressão de que há uma certa "birra" de você com alguns de nós; e de que por mais que silenciemos ou falemos, a birra continuará. É uma impressão, que pode estar equivocada, mas a qual sinto, vez ou outra, lendo-o [o que, definitivamente, não quer dizer que seja algo presente em sua escrita].

De certa forma, temos todos, cada um ao seu jeito e intensidade, sido arrogantes, belicosos, e pouco amorosos. Podemos dizer que a nossa exortação é por amor [seja à verdade, a Deus, aos irmãos], mas tenho lá as minhas dúvidas, que no meu caso, é uma certeza.

Tenho orado e meditado em tudo isso, esperando que Deus traga-nos à unidade em Cristo, como membros que se auxiliam, sustentam, confortem e consolem mutuamente, ainda que as ideias e posições não sejam as mesmas.

Posso amá-lo ainda que você seja um "misterioso", assim como você pode me amar mesmo eu sendo um "racionalista", ou, é impossível? E essa pode ser a nossa vitória: ao invés de darmos vazão à carnalidade, mostrando-a publicamente, exercitemos a espiritualidade, e deixemo-la à vista de todos, para a honra e glória do Senhor, para a vergonha do nosso inimigo comum.

Bem, desculpe-me o desabafo e confissão, mas tenho me afligido e angustiado com o rumo que as coisas têm tomado... Espero que haja paz, a paz que excede todo o entendimento, a qual, como você disse, é um mistério.

Cristo o abençoe!

Abração!

Emerson Campos Pinheiro disse...

Roberto, tempos atrás percebi alguns irmãos dizendo que compatibilismo era um semi-arminianismo.

Quando perguntei o porquê, eles disseram que era porque no compatibilismo o homem é livre do decreto.

Eu procurei provar que não era o caso e que a liberdade no compatibilismo calvinista é de coação, de ser forçado a fazer algo contra sua vontade, e não do decreto.

Mas eu acho que foi como falar com as paredes, pois eles tinham uma visão tão enraizada ( e deturpada) do que é compatibilismo que não adiantava o que eu provasse.

Parece-me que tem sido esse o caso dos "irracionais" contra os racionalistas (ou homens-mistério contra os homens-razão). O espantalho tem convivido a tanto tempo com eles que fica dificil crer que ele não é real.

Roberto Vargas Jr. disse...

Jorge,

Não posso dizer que não me entresteci com seu comentário. Não este, mas o outro. Você sempre foi muito razoável, por mais que discordante. Mas não lá. Não comigo. Você deve ter suas razões. Bem, eu não as compreendo. Mesmo que estejam ditas agora aqui. Ou ainda mais se estiverem.

Quanto aos demais, não tenho birra alguma. Qualquer um que argumente, certo ou errado, em respeito, terá respeito de volta. Mas a qualquer orgulho não posso responder senão com desprezo. Se o desprezo parecerá orgulho em resposta, pois que pareça. Isto não me preocupa minimamente.

E, veja, tudo se iniciou com um texto meu que falava puramente de lógica, pois era a lógica que o autor chamava em seu favor. E pela lógica ele falhou. Apenas alguns poucos tentaram se manter neste trilho e a estes respeitei. Mas a quem me voltou com ofensas, desonestidade intelectual ou cegueira voluntária, a estes respondi como a eles convém. Sim, uma resposta pode ser branda. Mas a resposta dura também é uma resposta.

Este meu último post foi de fato pessoal. Os demais não. Nem mesmo aquele em que mostrei o discurso acusador contra mim. Em todos eles, exceto no primeiro, minha tristeza está presente, até mesmo naquele em que me diverti com uma pequena ironia. Mas este é o único em que me coloco nú. Gostaria que isto fosse significativo, pois este texto é bem diferentendos demais. Mas suponho que eu seja incapaz de mostrar isso que gostaria.

Sabe que o amo. De um amor que não é sem afeto de forma alguma. Nenhuma palavra de qualquer outro me machucou, exceto a sua. Não digo isso para que se desculpe ou tenha maus sentimentos. Digo porque é verdade. Já disse que a única opinião que me importa, além da do Senhor, é a daqueles Seus servos que me conhecem e se importam comigo, verdadeiramente. Dói saber que você, que me conhece e, creio, importa-se, veja-me tão pequeno em ações e intenções. Posso, talvez, exagerar no desprezo aqui e ali, mas, quanto a irmãos, não sou tão duro sem um fim que é mais didático que qualquer outra coisa.
Sei bem: esta é a minha esperança de tolo, a de que de algum modo eu tenha sido didático. Entristeço-me, mas temo não poder me livrar desta tolice.

Quanto à exaltar a tolice em mim para atingir outrem, bem, isto é algo que me foge completamente à intenção. Digo de mim o que sei ser. Dos outros o que eles mostram a mim. Destes dois casos o único que afirmo ser crônico é o meu, pois sei quem sou. Os outros não sei. E isso seja com eles, não comigo.

Bem, agora foi minha a vez de desabafo e confissão. Temo que eu tenha sido por demais disperso.

Ainda... Que Deus tenha misericórdia de nós!
NEle,
Roberto

Roberto Vargas Jr. disse...

Emerson,
Como pode ver, eu também me sinto como a falar para as paredes.
Ainda me resta, no entanto, a esperança. Talvez haja alguém ouvido por detrás elas!
No amor do Eterno,
Roberto

Jorge Fernandes Isah disse...

Roberto,

Já lhe disse algumas vezes o quanto é querido, e gostaria de dizê-lo mais, mas andamos meio distantes, o que não quer dizer que o sentimento não seja o mesmo. Apenas não tem havido oportunidade para manifestá-lo.

Quando disse o que disse no comentário acima, não o disse simplesmente de você, mas de todos, de uma forma geral, e de mim especialmente. Tudo o que disse não foi pensando em você ou em fulano ou beltrano, mas em mim mesmo, por isso o ato confessional. Se há alguém que reconheço ter errado mais do que todos, este sou eu. Mas é possível perceber que o mesmo está acontecendo com todos ou a maioria de nós, em menor ou maior intensidade. Mas cada um deve cuidar de si, não é!

Sobre aquele meu comentário lá no André, fui indelicado, impulsivo, nada sábio. Não importam os motivos, se certos ou errados, o fato é que jamais deveria tê-lo feito, mas está feito, infelizmente; resta-me arrepender, pedi-lhe perdão, e orar para não cair novamente naquela esparrela.

Sobre a "birra", creio que é natural a transferência da critica ao tema para o seu proponente... E creio ser isso o que devemos evitar. Como disse, posso estar errado, e você explicou que, em relação a você, estou. Talvez não tanto em relação aos outros, e a mim mesmo.

Um dos motivos pelo qual não leio quase nada mais em blogs, sites, facebook e twitter é exatamente isso: a negativação do debate, que impede as pessoas de laborarem positivamente para a propagação da fé. Cansa-me esse "ar" apologético, de defesa, quando as doutrinas verdadeiras não são anunciadas e, quando são, o são apenas de raspão. Essa mentalidade negativa levará as pessoas apenas à descrença e ao cansaço. Vejo, em muitos exemplos diários, que os maiores críticos são aqueles que se tornam mais fracos na fé, pois estão mais preocupados em atacar os outros do que a atacar, em si mesmos, o pecado e o mal que os domina. Isso não tem nada a ver com você diretamente, falo dos exemplos que tenho no dia-a-dia, mas entenda-o como um alerta, para não cair no mesmo erro de muitos.

Eu mesmo caí algumas vezes nessa situação, que parece ser cíclica, como se nos esquecesse do mal que ela pode causar, e que acabará causando, se dermos vazão a ela.

Com isso não estou dizendo que não se deve criticar, que os erros não devem ser apontados, combatidos; mas penso que o melhor objetivo será sempre o de abrir os olhos, fazer o tolo ver, ao invés do simples "tripudiar". Porém, há sempre uma autoexaltação [ainda que inconsciente] por sermos o denunciador, e por estarmos distantes do alvo da denúncia; colocamo-nos em posição superior por sermos capaz de ver o que o outro não vê, ou não quer ver.

Bem, sei que o blog do Roberto Vargas não é um confessionário [rsrs], mas tenha como certo que não o faria em nenhum outro lugar além do meu próprio blog [confessar-me]; e, creio, isto demonstra o quanto confio e o considero irmão e amigo.

Como disse anteriormente, que Deus nos una e nos aperfeiçoe no seu amor e fé; e Cristo seja sempre honrado e glorificado com nossas vidas.

Abração!