Estes dias fiquei em casa com o Mateus enquanto a Raquel saiu com o Lucas para comprar pães para o nosso café da tarde. Fiquei a olhar da janela de nossa casa para a rua, com o Mateus no colo. De longe, vi a Raquel, em passo lento para que o Lucas a pudesse acompanhar. Devagar eles vinham. E enquanto vinham eu não parava de pensar: como minha esposa é linda!
Não, isso não é uma declaração de amor, embora eu ame. E, não sendo, que teria isso de relevante? Muito, embora eu tema não conseguir expressar propriamente. Já faz tempo que estou a pensar sobre isto e, se não posso colocar as palavras certas, ao menos deixo um esboço. E inicio por dizer que é uma questão de familiaridade.
Pois eu vejo minha esposa todos os dias. Conheço, ainda melhor que no dia de nosso casamento, “todas as suas manhas e todos os seus defeitos”. E, ainda que eu também ainda diga que “conhecendo, escolho você”, fato é que muito do cotidiano faz esconder a escolha. A familiaridade faz esquecer quem ela é. E ela é mesmo linda!
Por isso às vezes é bom vê-la ao longe. Esquecer que é minha. Pois é minha só porque também me escolheu, um presente imerecido, sem dúvida. E então lembrar disso, para também lembrar que ela merece ser conquistada cotidianamente. Não porque realmente precise, mas porque merece. E merece porque não me pertence de fato. Apenas se cedeu a mim, em permissão divina, para minha mordomia, para que eu cuide e faça florescer. Merece porque pertence ao Deus de nossa salvação. E é assim que ambos devemos servir ao Cristo.
E assim é também esta familiaridade com Deus. Ou deveria eu dizer “com as coisas acerca de Deus”. Pois saber sobre a Paixão nos faz esquecer de Suas dores. Pois saber sobre a encarnação nos faz esquecer que isto é impossível, exceto a Ele. Pois tê-lO por amigo, faz-nos esquecer que é Senhor. E também porque ser Seu faz esquecer como é não ser. Isto tudo e muito mais que nos acostumamos e esquecemos.
Talvez isto não seja sempre. Mas temo que, assim para mim como para qualquer um que agora me lê, isto seja por demais comum para que seja ignorado.
Assim, penso que este exercício de abandonar, mesmo que por um breve instante, esta familiaridade, este “estar acostumado” faria um imenso bem às nossas almas. Para mim é certo que faz. Seja ao olhar minha esposa à distância para vê-la como é, não como meu olhar cansado a vê, seja ao olhar a Deus como em distância para lembrar, mais que dEle, de mim, pois tudo nEle em mim é Graça.
SOLI DEO GLORIA!
4 comentários:
Que lindo!!!!!!!!!!!!!!!! Amei!
Mas também amei pela mensagem que deixou acerca de Deus!
Parabéns!!
Texto maravilhoso para ser lido por cristãos!
Roberto,
hoje estou a ler grandes-pequenos textos [poucas palavras mas uma imensidão de sentido], e entendo que o bom Deus esteja falando especialmente comigo.
Como a Raquel disse, o seu texto é uma mensagem maravilhosa; penso que é um hino de amor a Deus através da Raquel, e uma canção de amor à Raquel somente possível por Deus, que nos amou primeiro.
Também já me vi esperando minha esposa na rua, e ao vê-la tive a mesma impressão: no meio da multidão de mulheres, como ela se destaca, como é linda. A mais linda entre todas. O que reforça em mim, cada vez mais, a certeza de que a amo e de que ela é a mulher que o Senhor me deu como companheira, como ajudadora, e de que devo, mesmo que seja com lágrimas de sangue, clamar e orar a Deus por sua salvação.
As vezes isso fica meio que perdido no corre-corre cotidiano, diluído, eu diria, mas é ótimo saber que Deus está a me lembrar da minha responsabilidade, como mordomo, do que ele me deu e de como devo zelar por ela, protegê-la, amá-la, conquistá-la, porque ela é uma dádiva e a prova do amor divino por mim.
Obrigado!
Grande e forte abraço!
Cristo o abençoe!
Roberto,
você expressou, nessas poucas palavras, um sentimento que me ocorre com regularidade. Um dia, quem sabe, também ponho isso no papel.
Abraços!
Gostei mano,
vou "furtar" este texto para mim. Não para publicá-lo em algum outro blog, o que seria uma honra, mas para pensar sobre o que está escrito nele e por em prática. Essa familiaridade nos distancia um pouco mesmo. Retornando e agradecendo a Deus pela salvação e por minha amada esposa.
Parabéns pelo texto Roberto,
Em Cristo.
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