domingo, 13 de novembro de 2011

Aba!

Há coisas que são impossíveis de colocar por escrito. Talvez não para certas penas geniais, mas a minha está bem longe disso. Como descrever cenas tão breves e de um sentimento tão intenso? Como mostrar em palavras o que os olhos vêem e você mal pode expressar para si mesmo? Estou fadado ao fracasso, mas não me permito não registrar.

Já faz muito tempo, quando o Lucas ainda tinha menos de um ano, nós saímos para almoçar em um restaurante. Pedimos um suco de laranja para ele, apesar de ele ainda ser amamentado no seio. Às vezes dávamos leite no copo, daqueles com bico, e naquele dia tínhamos esquecido o copo em casa. Passei o copo de suco de laranja com um canudo para ele. Ele simplesmente não sabia o que fazer com isso. Então falei para ele: "chupa", e imitei o chupar do canudo. Ele tentou por umas duas vezes antes de efetivamente chupar, mas, quando conseguiu, arregalou os lindos olhos negros em saborosa surpresa.

Ontem assistimos Rio, o desenho. É um desenho um tanto bobinho, mas divertido o suficiente para que o acompanhemos em assistir (um milhão de vezes, como faz toda criança). A arara macho, caçada ainda filhote e domesticada a seguir, não sabia voar. Qualquer adulto sabe que, em algum momento, a ave voaria. Não uma criança. Ao longo do filme o Lucas ia ficando amuado, bastante triste mesmo. No meio do filme ele pergunta baixinho: "por que ela não voa?". Dissemos que ela não aprendeu, e isso não ajudou nada em seu humor. Quase ao fim do filme, ele já deitado e desanimado, a arara cai de grande altura... Ele levanta parte do corpo em suspense. Mais um pouco a arara abre as asas... O Lucas já está quase sentado. E a ave voa... Ele, já sentado, abre um largo e feliz sorriso!

Estes momentos são de beleza insuperável. E eu não tenho dúvidas que a paternidade é uma forma de compreender o Pai. Por isso digo: Aba!

SOLI DEO GLORIA!

3 comentários:

Leonardo Bruno Galdino disse...

Da boca dos pequeninos tiraste o perfeito louvor! Aleluia!

Esli Soares disse...

Bob,

Essa experiência paterna de ver o filho crescer deve, nas devidas proporções, ser parte das razões da Teodiceia.

Ricardo Mamedes disse...

Roberto,

Passei por inúmeras situações assim, e são momentos indescritíveis, mas que não podem ser descritos com toda a sua intensidade... só vivendo pra saber.

Uma coisa é certa: não há nada neste mundo mais belo, mais amado e mais maravilhoso do que filhos, esse maior presente que nos foi dado por Deus!

Ricardo