sábado, 19 de novembro de 2011

De uma "conversa" deprimente

 

Após um texto bem humorado sobre este "debate a respeito de Cheung", o que se segue é uma apresentação deprimente. Ao contrário do que se possa pensar, não me deprime por eu ser o objeto de acusação, mas pela acusação. E, mais que pela acusação, pela contradição e pelas atitudes todas.

Há outros personagens. Mas estes são como ovelhas entre lobos e não vale mencioná-las. Aqui farei citação do que dizem Ranieri Menezes e Ednaldo Cordeiro, dois dos responsáveis pelo fórum Monergismo.

Antes porém, cabe lembrar, como eu disse no 5C, que eu "mantenho que minhas críticas são pontuais. Já questionei seu conhecimento filosófico em duas oportunidades, quanto ao pensamento sobre o mal de Agostinho e quanto a sua metafísica. No primeiro caso por equívoco, no segundo por simplismo (o que é bem diferente de simplicidade). Agora critico seu raciocínio lógico". Além disso, como eu disse aqui mesmo no RVJ, que "não fiz, ao menos até agora, nenhuma crítica teológica a Cheung. Também, nunca falei em relevância nem sobre heresia".

E isto dito, é necessário eu dizer que abandonarei todo rigor. Rigor argumentativo, claro. Não é minha intenção aqui apresentar demonstrações ou provas. Mas tão somente apresentar os motivos de minhas preocupações. Fiquei mesmo a pensar se convém. Em certo sentido, tudo parece não passar de uma "briga de gueto", o que é vão. Por outro lado, há pecado. E este não pode passar em branco. E dado que é feito de forma pública, acuso-o publicamente. Depois, os envolvidos que tomem suas decisões, se é que já não estão tomadas, diante de Deus.

Bem, sigamos com um "vermelho e azul" (ou um azul, ele, e vermelho, eu)... (Os textos citados estão resumidos, pois colocá-los inteiros seria não melhor que contraproducente.)

Ranieri, bem no início do debate no facebook, escreve a Cheung:

Olá senhor Cheung,
Desculpe incomodar mas preciso de um esclarecimento seu. Tenho lido muito dos seus escritos e tem me ajudado em muitos pontos teológicos. No momento estamos conversando no facebook numa rede de mais de 500 amigos e temos comentado também no fórum monergismo sobre seus escritos e há pessoas que lhe acusam de não ser exegeta mas usar mais da lógica e filosofia, sei que isso não acontece. Gostaria muito de ouvir uma resposta sua, agradeço se puder responder. (...)
Eu fiquei bastante impressionado com o tom servil que é empregado. Cheung deve ser um mestre severo, como um rei temperamental, que punirá seu aluno-súdito se este lhe falar como não lhe convém. "É apenas respeito", é facilmente alegado. Porém, o respeito deve ser entre iguais, homens pecadores salvos pela graça. Talvez, no máximo, algum maior cuidado no trato quando a diferença de idade exige, ou algo semelhante. Não é o que vemos aqui. E embora eu possa admitir que a impressão pode ser só minha, o que vejo é uma submissão humilhante. E absolutamente desnecessária.
Quanto à discussão, o máximo que se pode falar é que ela é mal explicada a Cheung. Pelo que passa a ser compreensível a resposta que ele deu, bastante perdida em relação à discussão toda, e que eu publiquei no RVJ anteriormente. 

Esse Roberto Vargas fica atacando seus escritos mas não faz com justiça. (...)
Isto me soa incompreensível. Dado que o juízo está feito, por que perguntar a Cheung sobre o que eu escrevi? Se já sabe qual a injustiça, alguma ajuda de seu mestre ainda é necessária? Independente disso, porém, o mais relevante é que há um juízo. 

Já ao fim (creio) de um "papo" no Monergismo, diz ele:

Nada como criticar Cheung para ganhar 15 minutos de fama. Primeiro o acusam de não ser relevante teologicamente depois o atacam como um herege!
Eu acho até que demorou para alguém falar dos tais 15 minutos. Dado que, segundo eles, Cheung é um gigante e Roberto um anão, se tanto, era óbvio que isto seria dito. Isto é e sempre será uma daquelas frases de efeito que, ao fim e ao cabo, não representam coisa alguma. É vã e vazia. E nada surpreendente.
Quanto à acusação de que me acusam, bem gostaria que eles apresentassem os textos em que faço críticas à relevância de Cheung ou à sua teologia ou ainda o chame de herege. Quem exige justiça, e devo dizer que se deve exigir, deve também usá-la. E este, não aquele, é o ponto.
Ele talvez diga que se refere a Kenneth e não a mim, pelo que ele escreveu no facebook. Ou dizer que concordo com o que ele disse ao afirmar que encontro eco do que digo... À segunda acusação respondo que o eco está na preocupação, não no que ele diz propriamente. À primeira, basta acompanharmos o que Ranieri diz em seguida:

Na minha opinião o Roberto Vargas quer pegar uma carona na cauda do cometa, é um peão espacial que cairá rapidamente.
Pelo que ele está de fato falando de mim. 

Ele quer uma vitrine para seu blog e encontrou no facebook e agora no fórum, que faça bom proveito e divirta-se!
Acusações desnecessárias, injustas, parciais, desleais e hipócritas nunca poderão contra a verdade. Não significa que Cheung é detentor absoluto da verdade (nenhum teólogo o é) mas naquilo que é fato e verdade não se pode atacar sem que esteja atacando e perseguindo o próprio Cristo, a Verdade.
Acusações injustas não fazem efeito contra uma declaração profética verdadeira. Nenhum teólogo, nenhuma teologia, nenhuma confissão de fé estão livres de erros. Alguns erram mais outros menos.
Ninguém está livre de apegos às tradições e preferências pessoais! Ninguém!
Quem pode concordar 100% com uma confissão de fé? 
Eu não concordo 100% com nenhum teólogo e nenhuma teologia. Não fazem o mesmo todos estudantes sérios da Palavra?
Sempre existirá um ponto de discordância na teologia. Isso é consequência natural da racionalidade falha. Ou discordamos ou nos encaixamos num cubo.
Há três assuntos entrelaçados aqui.
O primeiro... Eis o juízo a meu respeito. Isto, por um lado, reforça minha impressão que ele não leu ou não entendeu meu texto. Por outro, revela o tamanho da ignorância ou da desonestidade intelectual. E eis o motivo do meu título. E não me animo a repetir aqui o que tenho dito alhures sobre isso.
O segundo... Ora, concordo plenamente que "acusações desnecessárias, injustas, parciais, desleais e hipócritas nunca poderão contra a verdade" ou que "acusações injustas não fazem efeito contra uma declaração profética verdadeira". E eis o motivo de minha preocupação. Aliás, as duas afirmações em conjunto me dão a ocasião perfeita para colocar a preocupação em seu lugar. Pois a primeira fala sobre a verdade e, neste caso, a verdade está nas leis da lógica que regem nosso pensar. Pelo que Cheung não pode estar acima dela. Não pode ser ele, ou dele, a verdade contra a lógica. Mas é assim que o tratam. Cheung é o portador da verdade, seja lá o que diga. Tal pressuposto quase o coloca por um deus, se é que de fato não o faz. E a segunda afirmação o coloca, mais sem rodeios, por um profeta. Devo ficar menos preocupado que ele seja um profeta que um deus? De forma alguma! É o sinal da mesma idolatria.
O terceiro... Mas então Ranieri afirma que não há infalíveis, e que Cheung não pode, portanto, ser um. Ele mesmo não confia 100% em ninguém. Certíssimo! Mas contraditório a tudo o que é dito e feito em sua defesa. Se os leitores de Cheung realmente acreditam nisso, e se confiam no próprio Cheung que, dizem, afirma não-infalibilidade (de forma bem contraditória, mas não vem ao caso agora), então deveriam ser mais críticos e não se incomodar que tenha ele errado aqui ou ali. Se sua mensagem é acertada, e não tenho feito juízo disso (e, ao contrário, afirmei concordar com suas posições até onde o li, só não com suas razões), então seus erros só o tornam o homem que é. Mas se em tudo ele está certo, com "declaração profética verdadeira", então ele é um profeta infalível. Se assim é para ele e para seus seguidores, tomo-o por um falso profeta.

Já o Ednaldo diz:

... O Roberto, apesar do bom preparo dele, não está realmente disposto a dialogar com o Cheung, ele quer é "zuada", é o criticar por criticar. Pois se desejasse melhorar alguma coisa em alguém, ele iria direto a fonte, enviaria e-mails ao Cheung mostrando os erros que ele encontrou em seus escritos. (...)
O Roberto já fez um julgamento de quem o Cheung é, e é com base nisso que ele escreve. Se o Cheung disser que 1+1=2 o Roberto vai dizer que o sinal de adição, ou de igualdade, está torto.
Não passa de uma repetição de juízo. Mas enquanto o Ranieri o coloca por doxa, o Ednaldo o coloca categoricamente. E em seu juízo, assim como o outro, ele inclui meus desejos e sentimentos. Sempre me impressionaram tais julgamentos. O homem tem mesmo esta tendência de se pensar um deus, capaz de sondar as almas alheias. 
Para a última acusação, no entanto, cabe resposta. Eu não tenho idéia de quem seja Cheung. Não tenho qualquer juízo quanto a isso. Não o chamo "falso acusador, injusto, parcial, desleal e hipócrita", embora talvez pudesse chamá-lo de uma ou outra coisa, pois por frutos se conhece a árvore. Mas eu cuido em não ser apressado em julgar. Porém, li alguns de seus textos. É sobre eles, em alguns poucos pontos, que faço minha crítica. Então, se Cheung me disser que 1+1=2, não direi nada e darei de ombros. Mas se ele alega A quando a verdade é não-A, então direi que erra. (E, na verdade, por ele, se ele erra ou não me importa muito pouco. Só entrei nisso por amor a alguns irmãos que se deixaram levar por seu discurso falacioso.)

Ranieri ainda disse, citando Lloyd-Jones:

Não devemos engolir automaticamen­te tudo o que lemos nos livros, ainda que dos maiores homens. Devemos examinar tudo.
Deveria, junto com seus pares, ouvir o que diz!

Com isto dou o assunto por encerrado. 

SDG!

 

2 comentários:

Esli Soares disse...

Roberto,

Como eu te disse em particular, é lamentável que a coisa tenha descido a isso, como bem vc expôs. É deprimente que em nome da lógica usem tantas falácias, sofismas e erística; que em nome de um maduro caráter cristão sejam tão ímpios, maldosos e infantis; e que em nome da correção e do ensino se façam tão obtusos, insensíveis e confusos.

Por tudo isso só posso mesmo lamentar, e esperar que eles entendam o q fizeram, se arrependam e se acertem.

Em Cristo
Esli Soares

Helder Nozima disse...

Roberto,

Chocado com o fanatismo dos cheunguianos. Uma coisa é discordar de você...a conversa deprimente está muito acima disso.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro