Antes da nova pérola, devo dizer o porque desta série. Alguém pode me perguntar porque não responder estes comentários alhures, onde foram feitos. Há muito percebi que comentaristas não têm o fim de debater, mas apenas expressar sua verborragia[1]. E se não intentam debater, muito menos falam com vistas à Verdade. De nada valeria eu tentar o debate, portanto. Mas os absurdos que suas mentes produzem bem valem ser expostos para que nós os evitemos nós mesmos.
Vamos à nova!
Alguém diz: “Sempre me incomoda esse tipo de visão extremamente analítico, quadriculado e formal das escrituras. Independente do pressuposto acerca de sua validade enquanto revelação e etc. Parece-me que nem um matemático (sou um deles) confia tanto na dedução formal e obtenção de ‘provas’ quanto o autor do texto e concordantes parecem fazer perante às escrituras”.
Três sentenças. A primeira, sobre a visão extremamente analítica, quadriculada e formal das Escrituras, é nada mais que a crítica ao zelo pela sã doutrina. Já falei sobre isso em Discussões alhures 2 e não o cansarei com repetições. A segunda revela uma postura liberal? Creio que sim, ao questionar a validade das Escrituras. Isso facilita a interpretação da terceira sentença que é o ponto nevrálgico da verborragia. Pois ao especular que nem mesmo um matemático confia “na dedução formal e obtenção de ‘provas’” feitas “perante às escrituras”, ele está nada mais a fazer que revelar uma cosmovisão não bíblica. Se o matemático, e este em especial, não confia em provas quanto à Verdade, isso não se deve a ele ser matemático ou outra coisa qualquer, mas a ter sucumbido ao desespero cético deste século. Um outro tema sobre o qual tenho falado exaustivamente e que não repetirei, são várias postagens minhas a respeito. A que melhor cabe ao caso talvez seja: O pós-modernismo.
Tem mais! Ele também diz: “A importância, no fim, é como a nossa crença influenciará na vida comunitária. Ou seja, devemos ir além da teologia em si e questionar sobre os desdobramentos da mesma. Afinal, o que importa no fim das contas são as pessoas, não?”.
A primeira afirmação me soa por demais influenciada por um marxismo qualquer. Mas a segunda parece amenizar a primeira dando contornos de preocupações com a igreja. Fiquemos com esta segunda impressão. A falha aqui é supor que a doutrina deva ser palatável, que a Verdade deva ser apresentada como uma amenidade que confortará corações (outra postagem de referência: De um deus menor que Deus). Não, de forma alguma! Isso é inadmissível, a sã doutrina deve refletir fielmente a Verdade que Se revela. E nós, ao proclamá-lA, devemos ser “fragrância do seu conhecimento”, “o bom perfume de Cristo”, “aroma de vida para vida para os salvos” e “cheiro de morte para morte aos que se perdem”, nunca “mercadejando a Palavra de Deus” e falando “na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (cf. II Co 2.14-17).
A pergunta que encerra o comentário nos leva ao fim último de todas as coisas, do homem em especial. Pessoas são importantes, sem dúvida. O homem é a imagem de Deus, e nisto reside sua glória em meio a criação. Mas não, não é verdade que “o que importa no fim das contas são as pessoas”. Uma tal afirmação apenas confirma, mais uma vez, o que venho falando: que o ponto de partida de muitos não é o Absoluto Deus, mas o homem. Porém o homem, assim como tudo o mais na criação, apenas é (existe) para a glória de Deus e nunca o contrário! Só ao reconhecer ser seu fim último glorificar a Deus é que o homem pode gozá-lO. Como bem aponta o Catecismo Maior de Westminster em sua primeira questão:
Pergunta 1. Qual é o fim supremo e principal do homem?
Resposta: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Nosso fim é doxológico: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus (I Co 10.31). Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36).
SOLI DEO GLORIA!
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[1] Não todos, claro, mas uma maioria que bem pode ser generalizada desta forma. Por isso, talvez se fizesse injustiça a algum deles nestas postagens. Razão da não referência sobre o local de discussão nem ao nome do comentarista.


4 comentários:
Olá Roberto,
O seu artigo é irrepreensível, não merece reparo!
De fato, essa é uma visão tipicamente pós-moderna, negando o absoluto de Deus. Tais pessoas querem um Evangelho que se "acomode" às suas necessidades, e não o contrário.
Ora, a verdade é a verdade e pronto! Ela não está a serviço do homem e tampouco se destina a um "fim social". Deus é o autor da vida e o Evangelho do Seu Filho é exclusivamente para a salvação. Se for ao contrário, Deus deixa de ser Deus.
Em Cristo.
Ricardo.
Roberto,
No que tange às Escrituras eu sou quadriculado (várias vezes quadrado), analítico e formal. Resisto a sacrificar a doxologia em prol da antropologia.
Mas, como "o que importa no fim das contas são as pessoas" deve soar com música suave aos ouvidos modernos!
Em Cristo,
Clóvis
Roberto,
Faço minhas as palavras do Mamedes acima: seu artigo "não merece reparo".
Ainda hoje eu estava conversando com um amigo do trabalho, que é católico. Eu emprestei As Institutas para ele ler, e tirar suas próprias conclusões. Hoje, ao encontrar com ele, perguntei-lhe: "E aí? Tá gostando do que tá lendo?", ao que ele me respondeu: "Calvino, realmente, é muito bom, mesmo. Só tô meio intrigado com o que ele fala sobre a predestinação". Pra resumir a história aqui, conversamos sobre se o homem tem ou não particiação na salvação, e eu quis mostrá-lo que NÃO, que o homem NÃO TEM participação na sua salvação. E adivinha para quê esse meu amigo apelou? Para o próprio homem! Ele tomou como ponto de partida o próprio pecador, e não o Absoluto! Eu disse a ele que, se o o homem tem mesmo o "livre-arbítrio" para decidir seu próprio destino, então estamos roubando de Deus a glória e os méritos que só a Ele pertencem. E Deus não dá a sua glória a outrem! No fim, apelei para a nossa velha doxologia: "Meu amigo, Soli Deo Gloria"!
Abraços!
Meus caros Ricardo, Clóvis e Leonardo,
É assim mesmo, enquanto a importância social ou "das pessoas" (assim, genericamente) soa agradável aos ouvidos modernos, nós somos os arrogantes do mundo, defendendo que a verdade é verdade. E ai de nós neste século porque nos submetemos à Verdade! O brado "nenhum deus, nenhum senhor" continua a ecoar, e cada vez mais alto.
Porém, não temos porque desanimar, se a Verdade é conosco!
No amor do nosso Redentor,
Roberto
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